quinta-feira, 5 de novembro de 2009

05 de novembro de 2009

Ex-Blog do Cesar Maia

CRIMINALIDADE: CAUSAS MULTIFATORIAIS/MÚLTIPLAS!

Extraído das notas de M. Lima, em seminário sobre criminalidade e experiência norte-americana.

1. Na obra The Crime Drop in America (A Queda do Crime na América), Alfred Blumstein e Joel Wallman, o primeiro Professor Universitário e Diretor da Associação Nacional de Pesquisas sobre a Violência, o segundo Ph.D pela Universidade de Colúmbia e Bolsista da Fundação Harry Frank Guggenheim, de Nova Iorque (onde faz pesquisas sobre violência e agressão), apresentam um profundo estudo sobre a queda da criminalidade nos EUA nos anos 90.

Neste estudo, ambos concluem que não há uma explicação única para a diminuição da criminalidade verificada nos EUA na década de 90, mas sim uma variedade de fatores, alguns independentes e outros que, interagindo entre si, foram importantes para o resultado final.

2. Blumstein e Wallmann, analisando os elementos da queda do crime nos EUA, citam as mudanças com relação ao tráfico de drogas, o incremento da economia, o controle do uso de armas de fogo, o aumento do número dos estabelecimentos prisionais (e das prisões) as alterações demográficas e, por fim, a política de combate ao crime, onde incluem a "tolerância zero" e a importância da comunidade como elementos de combate ao crime.

3. O grande aumento da criminalidade nos EUA, verificado em meados da década de 80, segundo os autores, estaria diretamente relacionado ao aumento do tráfico de cocaína e crack. Blumstein e Wallman identificam subculturas de violência em relação ao tráfico de cada tipo de drogas. Identificam também "eras" de apogeu do comércio de entorpecentes, indicando, basicamente três períodos: o período da heroína (1960/73), o período da cocaína/crack (com pico em 1984/89), e o período da maconha/blunt (esta última uma nova "moda", resultante da colocação da erva no envoltório de cigarros baratos no lugar do próprio fumo, período iniciado por volta de 1990).

4. A subcultura do uso e do comércio de drogas consistiria na organização de normas de conduta que definem o que o participante deve fazer, o que não deve fazer e qual a punição para a desobediência. Os participantes, no caso, são tanto os usuários, quanto os traficantes. No caso da cocaína e do crack, a subcultura de seu uso e tráfico seria extremamente violenta, autorizando o uso de armas de fogo e o emprego de ameaças e violência físicas para assegurar a venda, o ponto, o pagamento, enfim, tudo o que se relacionasse ao comércio da cocaína e do crack e fosse necessário para assegurar o êxito do "negócio". Portanto, a subcultura do tráfico da cocaína e do crack, explicaria o vertiginoso aumento da violência dos anos 80, bem como o declínio da criminalidade na década de 90, quando encerra-se o pico da venda destas drogas, iniciando-se a era da maconha/blunt, cuja subcultura é bem menos violenta.

5. Ao analisar a proliferação dos estabelecimentos prisionais, os autores informam que os Estados americanos quadruplicaram sua massa carcerária, resultando em gastos que passam dos vinte bilhões de dólares anuais, o que são números que falam por si só como evidência de sua importância na diminuição da criminalidade, quanto mais não seja, pela simples razão de que o criminoso encarcerado não está nas ruas. Embora não neguem totalmente a importância do aumento das prisões na diminuição da criminalidade, Blumstein e Wallman sugerem que a criminalidade teria caído de qualquer maneira, por outros fatores, ainda que o aumento das prisões não tivesse ocorrido na escala em que ocorreu, reconhecendo, porém, que esta é uma questão aberta.

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AS ÚLTIMAS DO "SARGENTO GARCIA"! ZORRO ESTÁ DE OLHO!

Trechos da entrevista a El País (05), de Marco Aurélio Garcia, apresentado como o "homem mais influente no entorno do presidente Lula"!

1. Obama nos disse que lhe parece importante que conversemos com o Irã. Na melhor hipótese os iranianos escutarão de nós coisas que de outros não escutam.

2. Os movimentos da diplomacia de Obama são, todavia contraditórios. Por exemplo, respeito a Cuba e Honduras. Enquanto ao que passou com Colômbia e as bases militares, não nos parece correto. Nós não podemos impedir que Colômbia tome suas decisões, mas fazem falta garantias de que não se produzirá um desequilíbrio na região.

3. Seria muito interessante que Venezuela e Colômbia acordassem um sistema de vigilância conjunta de sua fronteira comum. E eu não excluiria um pacto de não agressão. O Brasil poderia participar do monitoramento conjunto: ajudaríamos com meios técnicos, como aviões de vigilância. (Ex-Blog: Bem que poderia fazer o mesmo nas fronteiras brasileiras por onde entram drogas e armas).

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RESSURGE UMA ESQUERDA CLÁSICA NA EUROPA!

Trechos do artigo de Daniel Bensaid, filósofo, no El País (02).

1. As recentes eleições alemãs e portuguesas confirmaram que está emergindo, em vários países da Europa, uma esquerda clássica. Na Alemanha, Die Linke obteve 11,9% dos votos e 76 deputados no Bundestag. Em Portugal, o Bloco de Esquerda atingiu 9,85% e dobrou sua representação no parlamento com 16 deputados. Esta nova esquerda surgiu no final dos anos noventa, com a renovação dos movimentos sociais e da ascensão do movimento antiglobalização.

2. A novidade reside no seu avanço eleitoral, que não se limita a um país ou dois, mas que apresenta uma tendência europeia (ilustrada, entre outras, pela Aliança Vermelha e Verde na Dinamarca, Syriza na Grécia ou o Novo Partido Anticapitalista, na França), ainda frágil e desigual de acordo com os diferentes sistemas eleitorais. Por exemplo, a ANP e a Frente de Esquerda, tem na França um potencial acumulado de aproximadamente 12%, mas não contam com nenhum parlamentar eleito, devido a um sistema uninominal de duas rodadas que exclui toda representação proporcional e favorece o “voto útil” como mal menor.

3. A social democracia, ao acompanhar e promover políticas neoliberais no âmbito dos tratados europeus, contribuiu ativamente para desmantelar o Estado Social, a partir do qual ela havia construído a sua legitimidade. Sob o pretexto de "renovação", de "terceira via", e de "novo centro", se transformou em formação de centro, à esquerda, como o Partido Democrata italiano.

4. Enquanto isso essa centro-esquerda cada vez se distingue menos da centro-direita. Oskar Lafontaine resume o que essa nova esquerda deve fazer: "Fazer pressão para restaurar o Estado Social’. Portanto, não se trata de construir pacientemente uma alternativa anticapitalista, mas sim, "fazer pressão" sobre a social-democracia para salvá-la de seus caminhos centristas e fazê-la voltar para uma política reformista clássica no âmbito da ordem estabelecida.

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JOSÉ DIRCEU SENTA A PUA NO PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL! A ATRAÇÃO DO BRASIL É OUTRA!
                
"As declarações do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, sobre a não existência de uma bolha especulativa na Bovespa, são no mínimo surpreendentes. Afirmar que os capitais externos que estão vindo para o Brasil são investimentos diretos e aplicações em ações e negar a existência das operações conhecidas como 'carry trades' é evitar a realidade.  Nas operações conhecidas como 'carry trades', os investidores se aproveitam da queda do valor do dólar e dos juros baixos nos Estados Unidos para tomar empréstimos na moeda americana, aplicá-los em ativos de países emergentes e lucrar duplamente - pela rentabilidade desses ativos e pela diferença de câmbio."

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CAETANO VELOSO E AS ELEIÇÕES DE 2010!
                                                
Trechos da entrevista ao Estado de SP, com chamada de capa.
        
1. E olhe que minha candidata à Presidência é Marina Silva.  Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é uma cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem. Se ela for, voto nela, com a esperança de que ela, com sensatez que sempre demonstra, acolha a complexidade da realidade. E, no poder, seja mais pragmática que Lula. E mais elegante, o que já é.  Acho que ela é muito responsável e muito sensata. Se empenhar as energias para ganhar e se tornar capaz disso, ela levará a sensatez ao ponto de poder gerir.
        
2. Serra pode fazer um bom governo.  O Serra foi um excelente ministro da Saúde. Agora, ele é o tipo do cara que, se tivesse ganho no lugar de Lula, em 2002, teria trazido mais problemas à economia brasileira. Ele teria feito um governo mais à esquerda e a economia talvez tivesse problemas que não está tendo porque o Lula fez a economia de direita. E ouve os conselhos de Delfim Neto, que o Serra não ouviria. O Lula foi mais realista que o rei. Foi bom, a economia deslanchou.
        
3. Dilma?  Não tenho ideia. Ela tem um trabalho de pura gestão, mas sem experiência de poder político direto. Ela nunca foi eleita a coisa nenhuma.
        
4.  Vou falar em Aécio, de quem eu gosto muito. Talvez seja meu favorito entre os gestores. Porque acho que o Serra talvez ficasse mais isolado que o Aécio. E a Dilma talvez ficasse muito presa ao esquema estabelecido de ocupação dos espaços estatais pelo governo do PT.

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HONDURAS: CNN ENTREVISTA O SUBSECRETÁRIO DE ASSUNTOS DO HEMISFÉRIO OCIDENTAL!
                                                        
Thomas Shannon mediou o acordo de Honduras. Trechos da entrevista. (Tribuna, 05).
            
1. Os dois líderes firmaram um compromisso de aceitar o Acordo, e o Acordo indica que é o Congresso que tomará a decisão. Ou seja, os líderes assumiram um risco, mas também mostraram confiança que ganhariam no Congresso. O Acordo requer que aceitem a decisão do Congresso.
            
2.  A situação política mudou. Honduras já está em processo eleitoral para o dia 29 de novembro. A decisão será do Congresso, uma instituição democrática de Honduras.
            
3. Queremos um fim desse processo, e várias instituições expressaram a importância da restituição de Zelaya, mas a solução do problema tem que estar dentro de Honduras, tem que sobreviver no tempo e de forma pacífica e, por isso, decidimos deixar a decisão com uma instituição democrática hondurenha.
            
4. O futuro da democracia hondurenha está nas mãos dos hondurenhos. Sim, exatamente: passe o que passe os Estados Unidos reconhecem as eleições do dia 29. E por isso nossa ministra do Trabalho, Hilda Solis, faz parte da Comissão de Verificação. A esperança de Zelaya é também parte de seu objetivo de ganhar espaço no Congresso para sua restituição. Isso é parte do processo democrático. Entendo sua posição e a respeito. Mas esta será uma decisão do Congresso de Honduras.

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ARSENAL URBANO: POLÍCIA URUGUAIA INVESTIGA VÍNCULOS COM BRASIL E ARGENTINA!
                    
No fim de semana cercou a casa de Saúl Feldman, que era um depósito de armas. No tiroteio morreu um policial e dois saíram feridos. Feldman resistiu entrincheirado, e com sete balas no corpo se matou.
                    
(El País -do Uruguai-, 05) Féldman viajava sempre a Argentina. Não há registros de seu nome no Brasil. Quanto ao arsenal, ainda não se sabe a origem e o destino, ainda, das mais de 700 armas de guerra, 500 granadas, 110 mil munições e 200 kg de pólvora armazenados. Seis fuzis de assalto, quatro deles com escudo nacional e com a numeração limada, pertenciam ao exército. Todos os fuzis FAL eram argentinos. Não se sabe a procedência dos fuzis de assalto AK-47 e do resto das armas longas.
                                                    
                                                    * * *

ELEIÇÕES PARA PREFEITO DE NOVA YORK!
                
1. N. York tem 8,3 milhões de habitantes. Votaram para prefeito 1,1 milhão, ou 13,2%. Para Prefeito do Rio, votaram 3,3 milhões para uma população de 6,1 milhões, ou 54%. Bloomberg venceu com 556 mil votos contra 506 mil do democrata Thompson. Diferença de 50 mil votos.
                
2. Os Democratas venceram as eleições para Procurador Geral e para Controlador Geral.
                
3. Subprefeitos. Os Democratas venceram em Manhattan, Brooklyn, Bronx e Queens. Os Republicanos em Staten Island.
                
4. Conheça os detalhes.
http://elections.nytimes.com/2009/results/

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KIT-CHÁVEZ NO PARAGUAI: LUGO INTERVÉM NAS FFAAs.

                       
Leia abaixo trecho da matéria, em espanhol, do jornal Ultima Hora (05).
    
"Lugo barre cúpula militar tras hablar de bolsones golpistas. El titular del Ejecutivo realizó la tercera movida en las Fuerzas Armadas. Aunque los cambios se hicieron de manera oficial, no se especifican los motivos de la medida. Hoy asumen los nuevos comandantes.

A poco más de cinco meses del último cambio en las FFAA, el 20 de mayo pasado, el presidente Fernando Lugo realizó ayer la tercera barrida militar, ordenando el relevo de los comandantes del Ejército, general Juan Óscar Velázquez; la Armada, contraalmirante Claudelino Recalde, y la Aviación, general Darío Dávalos." 
 
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