terça-feira, 20 de abril de 2010

20 de abril de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

REASSENTAMENTO: DIREITO DOS POBRES OU DOS RICOS?

1. A expressão "remoção" foi cunhada no início do regime autoritário, entre 1964 e 1965, para nominar a transferência compulsória de moradores de algumas favelas de bairros de classe média no Rio para conjuntos habitacionais construídos em bairros afastados. A palavra "remoção" foi usada pelo regime autoritário, nas demolições de favelas, para marcar uma ação de força. Passou a carregar, dali para frente, essa marca repressiva no imaginário da população.

2. No Império, o problema habitacional dos mais pobres não foi colocado como questão. Os pobres eram basicamente escravos e viviam no local em que trabalhavam. O problema começa a surgir com o retorno das tropas da Guerra do Paraguai e se agrava com a exclusão dos escravos, pelos fazendeiros, após a Abolição. Surgem e proliferam os cortiços. A reforma sanitária do Rio iniciou a demolição dos cortiços e a abertura de fronteiras para a expansão imobiliária.

3. O caso de maior força simbólica foi a queima do cortiço Cabeça de Porco (passou a ser a denominação dos cortiços), em 1892, na base do morro da Providência. A solução foi subir o morro, que depois se ampliou com o retorno das tropas de Canudos. Chamaram favela, planta onde ficava o acampamento. A reforma urbana do Rio, em 1904, com suas demolições, construiu apenas um pombal de 200 microcasas.

4. Em 1928, a prefeitura contratou o arquiteto francês Alfred Agache (que criou o termo urbanismo) para o plano urbano do Rio, publicado em 1932. Agache tratava as favelas como equipamentos provisórios e lastimava que Santa Teresa se tornara permanente. Para o ato, foram convidados arquitetos famosos. Um deles, Ed Groer, russo, quis ver onde os pobres moravam e cunhou a frase "favela é solução" ao comentar as condições de areação e insolação comparadas às dos cortiços.

5. As expansões imobiliária e industrial e a opção por não investir em transporte de massa e em habitação popular atraíram a mão de obra para perto do local de trabalho. Em 1942, realizou-se a primeira demolição com forte simbolismo, transformando em fogueira a favela do largo da Memória, no Leblon. No final dos anos 40, o STJ confirmou o usucapião das cinco maiores favelas.  O vereador Carlos Lacerda defendia a urbanização. Um programa de acesso à cidade e a seus serviços e de moradia digna se transformou em confronto. A expressão "remoção" afirmou um estilo repressivo e unilateral, transformando o que deveria ser um direito dos pobres em direito dos ricos. Agora volta com a mesma entonação.

                                                    * * *     

"CAMPANHA ELEITORAL É COMO A LAVOURA"! "O QUE É CARISMA?"
                          
Apresentação de Cesar Maia à Juventude do DEM, falando sobre a dinâmica da campanha eleitoral. 3 minutos.


                                                    * * *

TRECHO DE UM FILME (1931/32) IMPERDÍVEL COM TEXTO DE BERTOLT BRETCH!

1. "Kuhle Wampe" é um filme realizado em 1931 e lançado em 1932. Trata do enorme desemprego na Alemanha, da tragédia entre trabalhadores desempregados e de sua reação. O título trata de um acampamento próximo a Berlim, onde muitos moravam.
    
2. O texto é de Bertolt Bretch (que em 1933 se exila na Áustria com a ascensão de Hitler), criador, na época, do Teatro Épico.
        
3. O extraordinário são os últimos oito minutos, quando os trabalhadores tomam um trem. Um deles lê as notícias do jornal em voz alta: "Onze milhões de quilos de café foram queimados no Brasil". E então se estabelece uma discussão: para que? Para manter os preços? Que absurdo! Etc.

4. Oito minutos finais imperdíveis, pelas imagens de um filme feito em 1931, interpretações e pelo texto político de Bertolt Bretch.

                                                    * * *

INTERNET: O PODER DAS MASSAS!
              
(New York Times - Anita Patil/FSP, 19)

Existe um novo elenco de "influentes" na cultura e na política..., somos você e eu. Antes, somente a elite, os profissionais e os "insiders" sabiam das coisas. Mas as barreiras tornaram-se muito mais fluidas.

"Hoje, as massas têm um grande acesso à cultura, como nunca antes", disse ao "New York Times" Gabi Asfour, do grupo de design ThreeASFOUR. "E esse acesso é a verdadeira riqueza, de uma maneira que o dinheiro não é. Daqui a dez anos, não haverá uma elite controlando o acesso à cultura, e então as coisas vão mudar incrivelmente depressa."

Mas, num momento em que o acesso foi virado de ponta-cabeça e está aparentemente democratizado, quem serve a quem hoje é uma noção totalmente nova no culto do amador.
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Pesquisa e Edição: JCM
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