sexta-feira, 23 de abril de 2010

23 de abril de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

"A INTERNET É UM FENÔMENO DE DESINTERMEDIAÇÃO"!
                   
Trechos da entrevista do jornalista  Juan Luis Cebrián, fundador do ‘El País’, hoje seu diretor. Estado SP (18).
           
1. No fundo a internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado?  As próprias organizações políticas foram ultrapassadas pela movimentação dos cidadãos. Como ordenar tudo isso? Não sei. O envolvimento da imprensa com a política é um fenômeno antigo. O que é novo é a instantaneidade, a globalidade e a capacidade de transmissão de dados que, por si só, configura um poder fabuloso.

2. A internet cria um mundo sem hierarquias. E nós, acostumados ao mundo piramidal, com instituições fortes, o Estado, a Igreja, os partidos, enfim, com ordem estabelecida, agora temos que nos achar nessa imensa rede onde todos mandam e ninguém obedece. A sociedade democrática se move pela norma, que nos conduz à lei. No mundo virtual, a norma não conduz à lei, mas ao software.

3. Os jornais, tal como os conhecemos, se acabaram. Adiós... Não significa dizer que deixarão de existir. Esse adiós resulta tão somente da constatação de que os impressos pertencem à sociedade industrial, e não estamos mais nela. Entramos na sociedade digital. No ano passado, cerca de 600 jornais fecharam as portas nos EUA, alguns deles com muita tradição. Em geral, jornais nascem defendendo bandeiras políticas e, ao se manterem à custa das receitas publicitárias, preservam sua independência. Como esse modelo ficará? Não é uma bem-sucedida transposição do impresso para o online, porque não é verdade. São veículos diferentes.  O que nos cabe perguntar é que tipo de jornalismo queremos ter na rede. Não está claro.

4. Teremos de investir em capital humano na rede se quisermos fazer diferença: ter bons jornalistas, gente com preparo para enfrentar operações globais. Mas é preciso mudar nossa forma de pensar. Nós continuamos a fazer jornais como se fôssemos o centro do mundo. Creio que já me livrei da dúvida de se a internet é uma ameaça ou uma oportunidade. Estou convicto de que é uma oportunidade.

                                                    * * *

PESQUISAS DE TODOS OS INSTITUTOS EM 2010: VOX POPULI, SENSUS, DATAFOLHA E IBOPE!
                            
Votos totais e Votos válidos. Veja todas e cada uma e seus comportamentos gráficos.

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SAMARANCH E A HISTÓRIA DO PAN-07 E DOS JJOO-2016!
               
1. Faleceu o ex-presidente do COI (e seu presidente de honra), Juan Antonio Samaranch, aos 89 anos. A ele o esporte deve muito. E o Brasil deve sua sábia orientação que nos levou à conquista da Olimpíada de 2016. Nuzman, presidente do COB, contou essa história no início da entrevista coletiva logo após a conquista dos JJOO-2016 pelo Rio em outubro passado.
                
2. O Rio participava da escolha da cidade sede dos JJOO-2012 e foi eliminada, no início de 2004, logo na eliminatória. Samaranch sentou ao lado de Nuzman e lembrou o que havia dito a ele em 2001: Faça o PAN e se habilite aos JJOO. Mas em 2004 foi mais longe e orientou: - Faça o PAN-2007 com padrão olímpico, em relação aos equipamentos esportivos, a vila pan-americana, ao centro de mídia, a serem construídos.
                
3. Com isso, o COB e a Prefeitura do Rio mudaram o projeto. De equipamentos típicos de Jogos Pan-americanos, de médio porte, se decidiu construir equipamentos de nível olímpico. Depois vieram as críticas dos meios de comunicação, dos céticos de sempre e da oposição: o orçamento do PAN havia estourado, etc. Nada disso. O Projeto PAN é que mudou radicalmente a partir da orientação de Saramanch.
                
4. O resultado se sabe. Foi o melhor e maior Pan-americano de todos os tempos e o Rio, por isso e apenas por isso, venceu e foi escolhida cidade-sede dos JJOO-2016. OBRIGADO SAMARANCH!
                
5. Veja foto de Samaranch na festa de abertura do PAN-2007 na tribuna de honra do Maracanã, ao lado da Primeira Dama do Município.

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"NOTÍCIA DE ACATAMENTO"! "QUANDO SE ASSUME COMO PRÓPRIO O PONTO DE VISTA DA FONTE"!
                         
Trechos do artigo da jornalista Milagros Pérez Olivva, "Defensora del lector" de El País (18).

1. O escritor e jornalista Furio Colombo fala de um tipo de informação na qual a fonte tem tal proeminência que anula a distância crítica do jornalismo. Denomina esse tipo de informação de "notícia de acatamento", que é aquela em que o jornalista e, portanto o veículo, assumem como próprios os pontos de vista da fonte. A notícia é apresentada de forma acrítica e em sintonia com o interesse objetivo da fonte. O risco de incorrer em "acatamento"  é especialmente alto naquelas situações em que se produz uma assimetria entre a fonte e o jornalista, quando a fonte é única, ou seja, quando se maneja uma informação importante que não é possível, ou é muito difícil, obter por outras fontes.
                        
2. É o caso, por exemplo, do advogado da parte que filtra dados da instrução que lhes são favoráveis. Os jornalistas de tribunais lidam com esta assimetria da que se derivam muitos problemas. Um deles é a vulneração da presunção de inocência. O "Livro de Estilo" de El País, estabelece que as manchetes devem responder fielmente à informação e que jamais devem estabelecer conclusões que não façam parte do texto. Nem sempre ocorre assim. Com certa frequência aparecem manchetes que afirmam como fatos incontroversos o que, naquele momento, são só conclusões da investigação policial.
                      
3. O último ano tem sido pródigo em assuntos policiais. Uma análise do tratamento dispensado a estas questões revela uma notável confusão nos critérios, para se dar destaque. O leitor pode encontrar-se com manchetes distanciadas, puramente descritivas e fatuais, ao lado de outras taxativas que assumem como própria a versão policial dos fatos. Creio que o jornal deve manter distancia e evitar adotar como próprias as conclusões da investigação policial. Deve-se dar ao leitor os elementos que lhe permitam interpretar corretamente a informação, em cada momento do processo de instrução.

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LEI, SE SANCIONADA, PODE MINIMIZAR FARRA DA PUBLICIDADE DOS GOVERNOS!
                                                                    
Trechos do editoral da Folha de SP (20).
            
1. Algo de verdadeiramente suprapartidário no Brasil é a predileção desmesurada de governantes pela publicidade oficial. Na melhor das hipóteses, fazem autopromoção com fins eleitorais, sob pretexto de esclarecer o público. Na pior, as verbas bilionárias sacadas do contribuinte oferecem um conduto para desvios e falcatruas. Estima-se que os três níveis de administração direta -federal, estadual e municipal- despendam R$ 2,5 bilhões ao ano na rubrica. É dinheiro demais para aplicação tão questionável. Como não vai desaparecer tão cedo, que ao menos se fechem as portas para mensalões e que tais.
            
2. À primeira vista, este é o mérito do projeto de lei sobre o tema, oriundo da Câmara e aprovado no Senado (nº 197/2009), que aguarda sanção pela Presidência da República. Uma de suas provisões prescreve o óbvio: todo contrato da administração pública com agência de propaganda deve ser precedido de concorrência, seguindo a Lei das Licitações.  O diploma traz definição mais estrita de serviços publicitários. Proíbe, ainda, a inclusão no contrato de penduricalhos como assessoria de imprensa, relações públicas e eventos festivos.
            
3. Marca pontos no quesito da impessoalidade ao estipular que as propostas técnicas sejam julgadas por comissão de profissionais escolhidos por sorteio, um terço dos quais desvinculados da repartição contratante. A lista dos elegíveis será publicada e poderá ter nomes impugnados por qualquer interessado.  Outro preceito importante da nova legislação é a obrigação de as agências guardarem por cinco anos as peças produzidas e provas dos trabalhos prestados. Afinal, ao menos uma coisa se aprendeu com os mensalões publicitários: além de inúteis para o público, alguns serviços nem chegavam a se materializar.
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Pesquisa e Edição: JCM
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