| | ALIANÇAS POLÍTICAS: POR PROGRAMA E POR PROXIMIDADE! Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (22). 1. A aliança política com vistas à disputa eleitoral é matéria de estudos pela politicologia. Desde a segunda metade do século 19 o final do século 20, as alianças eram, em geral, construídas a partir de programas, e divulgadas pelos partidos. O debate prévio se desenrolava por meses. Esse processo nem sempre foi assim. Algumas vezes se estabelecia uma aliança por proximidade política, com a expectativa de que no processo se construiria um programa. 2. No Brasil, nos últimos anos, e 2010 é um caso exemplar, todas as alianças políticas se fazem por proximidade. Nenhuma é construída a partir de programas convergentes e divulgados. Na biografia de Bismarck (primeiro-ministro alemão de 1862 a 1890), Emil Ludwig narra algumas passagens em que essa disjuntiva é explicitada. Uma delas quando Bismarck (47 anos) era embaixador da Prússia em Paris, poucos antes de assumir como primeiro-ministro. 3. Num encontro com o imperador Napoleão 3º (54 anos), no palácio de Fontainebleau, este indagava se a Prússia estaria disposta a "concluir uma aliança comigo" e como era o clima em relação a ele. Bismarck diz que "as prevenções de opinião pública contra a França quase desapareceram e que os sentimentos do rei em relação ao imperador são os mais amistosos". Mas afirma que "as alianças, nas circunstâncias atuais, só podem ser frutuosas se são úteis e necessárias". E sublinha que "toda aliança requer um motivo e um fim". 4. Napoleão 3º replica, dizendo que "isso nem sempre é justo, pois as potências mantêm relações mais ou menos amistosas". Afirma: "Diante de um futuro incerto, deve-se dar uma direção à confiança". E conclui: "Seria um grande erro traçar um caminho para os acontecimentos, pois estes vêm por si mesmos, sem que possamos calcular a sua força e a sua direção". 5. Chamado com urgência de volta a Berlim, Bismarck é convidado a assumir a função de primeiro-ministro devido à crise política, produto de um impasse entre o rei e o Legislativo. Com sua experiência de ex-deputado, busca no Legislativo os elementos de concessões recíprocas de forma a garantir o fundamental das propostas do rei. 6. Mas, ao negociar com o bloco de oposição, vê a dificuldade de avançar: "Neste momento, esses senhores não estão de acordo nem quanto aos motivos pelos quais se unem. Daí nasce a querela. E se machucam "con amore", o que é próprio da profissão". 7. No ano político de 2010, aqui no Brasil, nacional e regionalmente valem as duas máximas. A de Napoleão (aliar-se e depois dar direção à aliança) e a de Bismarck (eles não sabem por que estão juntos). * * * ESTUDO DA FGV DIZ QUE CÂMBIO VALORIZADO DESINDUSTRIALIZA BRASIL! (Estado SP, 23) Grupo de economistas desenvolvimentistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) fez uma radiografia completa da influência do câmbio na economia brasileira e chegou a uma conclusão polêmica: a "doença holandesa" está provocando a desindustrialização do País. A "doença holandesa" ganhou esse nome porque uma alta dos preços do gás na década de 60 aumentou as exportações da Holanda e valorizou o florim (moeda da época). E é isso que o conceito significa: ao exportar muita commodity, o país atrai dólares, o que valoriza a moeda e prejudica outros setores. Outro resultado surpreendente do estudo aponta que os efeitos do real forte são marginais nas exportações, mas intensos nas importações. * * * NEM SERRA NEM DILMA TÊM O ESTILO DE LULA OU O MEU! Trecho da longa entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao La Nacion (23). "La Nacion: A conciliação é a nova política? FHC: Não, não. Creio que é importante que haja capacidade de conciliação, naturalmente dentro dos limites e dentro de certas normas morais. Mas há algo de pessoal nisso. Agora, se ganham José Serra ou Dilma Rousseff, nenhum deles tem o estilo do Lula ou o meu. São estilos pessoais mais conflitivos. Gostam mais da luta direta, que às vezes pode ser uma vantagem. Porque os conciliadores normalmente não abrem o jogo, não dizem realmente o que pensam." * * * IPEA - MIN. PLANEJAMENTO: PAC PREVÊ APENAS 13% DOS INVESTIMENTOS NECESSÁRIOS PARA RODOVIAS! (Vide Versus, 25) O PAC atende apenas 13% da necessidade de investimentos em rodovias no Brasil. De acordo com estudo feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são necessários R$ 183,5 bilhões para recuperar as estradas já existentes e construir novos trechos. O PAC prevê apenas R$ 23 bilhões. Segundo o coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos Campos, além de prever recursos insuficientes, o PAC apresenta problemas para execução, como a falta de projetos, dificuldade de licenciamento ambiental e paralisações do Tribunal de Contas da União. * * * SERVIDORES DO HOSPITAL MIGUEL COUTO, DA PREFEITURA DO RIO, DENUNCIAM ABANDONO! (Servidores M. Couto, 24) Somos servidores do Hospital Miguel Couto entre 15 e 20 anos. Nunca vimos nada parecido. Os dirigentes do hospital estão desesperados e informam que estão usando verba de manutenção para comprar medicamentos. E que nas reuniões quase semanais com a secretaria municipal de saúde quando se pede medicamentos, a resposta é “Medicamentos não são prioridades”. Desde outubro não há licitação. Exemplos de medicamentos em falta: Clexane e Heparina- Anticoagulante extremamente necessário para paciente cardíaco \ Antibióticos- Gentamicina, Oxacilina, Clindamicina, Ampicilina, Clavulin, Meropenem, Tarzocin etc. * * * SUIPA (SOCIEDADE PROTETORA DE ANIMAIS) AGONIZA! Mas há um excelente centro de acolhimento e proteção de cães, gatos e animais silvestres na Fazenda Modelo em Campo Grande-Rio, quase parado, operando a 10%. Por que não se utiliza em sua plena capacidade? O convênio com a Universidade Rural não está mais vigente. (G1-24) Mortalidade de cães na Suipa é de 99%, diz MP após vistoria. A vistoria após uma denúncia de maus-tratos a animais na sede da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (Suipa) levou o Ministério Público do Rio a investigar uso de verbas na unidade, que arrecadou R$ 12 milhões só nos últimos dois anos. Mesmo com a receita, cães vivem sem condições de higiene, alguns em gaiolas e com a mortalidade chegando a 99%, segundo dados da própria ONG enviados ao MP. Em entrevista ao G1, Izabel Nascimento, presidente da Suipa, confirmou que a mortalidade é alta e que o espaço é pequeno no local para a grande demanda de animais que chegam todos os dias. Segundo ela, cerca de 60 animais dão entrada no local todos os dias, somando cerca de 1.800 por mês. |
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