| | ELEIÇÃO PRESIDENCIAL E O VELHO ARGUMENTO DO MEDO! Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (29). 1. Em campanhas eleitorais, é muito comum a disjuntiva esperança x medo, quando os candidatos atribuem uns aos outros riscos quanto ao futuro, de forma a aportar insegurança nos eleitores. No jornal "El Tiempo", de Bogotá, o jornalista León Valencia, analisando a eleição presidencial, tenta explicar a performance do candidato verde, Antanas Mockus, usando essa disjuntiva. Cita John del Cecato, estrategista do Partido Democrata, que fez essa aposta vitoriosa na eleição de Obama. Seu princípio é: "A esperança vende mais que o medo". 2. Paradoxal é o caso brasileiro. Por anos, durante as seguidas tentativas desde 1989, Lula respondia com seu jingle a seus adversários que lançavam sobre ele uma nuvem de insegurança e medo. Não faltou o apoio de artistas: "Lula-lá, sem medo de ser feliz"; "Lula-lá, cresce a esperança". Curioso paradoxo. O que parecia um preconceito em relação ao candidato operário apoiado pelas esquerdas era, na verdade, uma velha fórmula aplicada por candidatos do governo contra a oposição. 3. Collor não foi exceção, apoiado pela direita no governo, com o presidente Sarney isolado em seu próprio partido. Já na eleição de 2006, esses sinais começaram a ficar claros no segundo turno, quando o tema privatização foi lançado pela campanha de Lula para gerar insegurança em relação a Alckmin. Na atual campanha, aquela disjuntiva volta. Quem está no governo se dirige à oposição com o velho e surrado discurso do medo. 4. Medo de que o programa Bolsa Família seja descontinuado, de que novas privatizações poderão vir, etc. A mesma lógica lançada contra Lula pelos governos, é agora lançada pelo governo de Lula contra a oposição: emplacar no eleitorado a sensação de medo quanto ao futuro. Antes, e agora também, a oposição procura reagir da mesma forma: dizendo que nada disso é verdade e que tais ou quais vetores terão continuidade. 5. Quanto mais fortes as instituições democráticas, mais desmoralizada é essa apelação ao medo que fazem os governos reiteradamente. Esperança é a metáfora usada pelas oposições -aqui e alhures- para tratar de mudança, com o sujeito oculto pelo verbo. E o eleitor pode perceber assim. Os governos -seus candidatos e agora candidata- traduzem o discurso da oposição por mudança, em insegurança para o eleitor. Numa situação de crise, é fácil desmontar a bandeira do medo. Numa situação de normalidade, não é tão fácil. * * * PESQUISA DO IBOPE NO ESTADO DO RIO: DIFERENÇA NA PRESIDENCIAL! 1. As informações que chegaram a este Ex-Blog sobre pesquisas realizadas no mesmo período que a do Ibope, informada ontem, mostram resultados muito parecidos para Governador e Senador. 2. Mas para Presidente, a diferença é muito grande. Ibope deu Dilma na frente 17 pontos. Outras pesquisas dão para Dilma três pontos na frente de Serra, em empate técnico. Próximas pesquisas vão esclarecer. * * * "PANORAMA E PERSPECTIVA PARA O TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL E NO MUNDO"! Estudo do IPEA, de 61 páginas, apresentado ontem, dia 31 de maio de 2010. Pena que o Gráfico 13 na página 45 não inclua o Galeão. Veja. * * * UFRJ X CANECÃO: 40 ANOS DE LITÍGIO! (blog Sonia Rabello, 29) 1. No dia 26 de maio, o STF enterrou, mais uma vez, as pretensões do CANECÃO, casa de shows no Rio de Janeiro. É que foi julgado e decidido a favor da UFRJ, a retomada do imóvel, pela segunda vez. São mais de 40 anos de processo judicial, tramitando a retomada do imóvel na Justiça. Foi durante estes quarenta anos de pendenga judicial que o Canecão se firmou ali. Durante este período, por dez anos, um dos processos esteve parado, favorecendo, evidentemente o CANECÃO. 2. Só para esta questão judicial houve inúmeros processos judiciais, e duas decisões da nossa Suprema Corte: uma, em um processo que se iniciou em 1969 e terminou em 1988, que deu ganho de causa à UFRJ, e reconheceu que o CANECÃO deveria devolver o imóvel. A outra agora, na última quarta-feira, no mesmo teor. 3. Este segundo processo se iniciou quando o Canecão, tendo perdido o primeiro processo em 1988, propôs um segundo processo, em 1990 (ação rescisória), com o objetivo de anular a decisão do STF no primeiro processo. Se não deu totalmente certo, produziu um ótimo efeito, pois manteve a casa de shows no local por mais 22 anos. 4. Esta última decisão ainda condenou a Associação dos Servidores Civis do Brasil que estava com o CANECÃO no último processo, a pagar 10% de honorários atualizados! Tudo isto tem uma só base - a lei. É que o decreto-lei 233 de 1967 determinou que o terreno seria doado à UFRJ para a expansão do hospital da Universidade - o Pinel! E está em vigor. Depois de 42 anos será que a lei será cumprida? Ou a ilegalidade terá valido a pena? * * * RESUMO DA REUNIÃO SOBRE AS NOVAS OBRAS DO METRÔ REALIZADA ESTA SEMANA! (JCM) 1. Como a licitação para construção já foi feita e já se tem a licença de canteiros, as obras estão previstas para começarem dia 26/06/10 com a escavação circular para o túnel. A previsão é de que o trecho composto por três estações (Jardim Oceânico, São Conrado e Gávea) demore 4 anos pra ficar pronto, com 9,8 km de distância e tenha custo estimado de quase 2,8 bilhões. 2. O outro trecho, que conectaria a estação da Gávea até a General Osório passando por novas estações (que ainda não foram definidas, tendo como opções: Maria Quitéria, Jardim de Allah e Pç. Nossa Senhora da Paz), teria 3,8 km, ficaria pronto no final de Maio de 2016 e teria um custo estimado de 2,3 bilhões. Com 18 meses para terminar o projeto executivo mais 1 ano para instalar a máquina, estas obras começariam a partir de 2013. Somando-se os custos dos 2 trechos, os gastos passam de 5 bilhões. 3. Opinião dos Especialistas. Maurício Rizzo: defende que a Linha 4 deveria ser realizada conforme o projeto original, que começaria no Jardim Oceânico e iria até a Carioca. A nova linha é diferente do projeto original, pois em vez de criar uma linha específica ligando a Barra ao Centro, apenas cria uma extensão das linhas que já existem. 4. Fernando MacDowell: O metrô é um sistema, que deve ser planejado como um todo e em longo prazo, enquanto que o governo hoje faz o oposto, querendo implantar uma linha que já começa saturada. Em SP, o custo médio por km de metrô é de 180 milhões (já é elevado), enquanto que no RJ está sendo de 430 milhões/km. 5. As Associações da Barra (ABM e AMAR presentes) preferiam que fosse implantado o projeto original, ligando o bairro diretamente ao Centro e não querem um terminal de ônibus (que faria a conexão com o resto da Barra) no Jardim Oceânico porque o trânsito local já é muito congestionado. As Associações do Leblon e Ipanema têm dois receios: que os carros já virão lotados da Barra e vão impedir que moradores da Zona Sul usufruam do Metrô. Assim, preferem que não tenha projeto. São também contra a instalação de novas estações, porque trariam mais gente, congestionamento e vendedores ambulantes. A Associação do Humaitá também prefere o projeto original, que passaria pelo bairro deles, pois a nova linha proposta não os beneficia. * * * FALA O PRESIDENTE DA CORTE SUPREMA DA ARGENTINA! Trechos do artigo de Adrian Ventura, em La Nacion (01). 1. "A Justiça tem de estabelecer limites para os outros poderes. Esta é a sua função constitucional. Mas não é o seu papel governar", disse ontem, o presidente da Corte Suprema, Ricardo Lorenzetti. "Se falamos de limites, temos de reconhecer quais são os nossos próprios limites, os do Poder Judiciário. O melhor que podemos fazer é compreender qual é o nosso lugar como Pode Judiciário e saber ficar dentro da nossa área de competência", disse Lorenzetti. Não é a primeira vez que Lorenzetti faz estas declarações, mas este semestre foi marcado por repetidos conflitos entre Justiça e política. 2. "O Estado de Direito não significa apenas a existência dos poderes formais, mas também, como disse esta Corte em recente decisão, significa o equilíbrio, o contrapeso e o controle recíproco dos três poderes do Estado", afirmou. "É função do poder judiciário proteger os direitos individuais de todos os cidadãos, para que tenham tranqüilidade, para que seus bens e suas liberdades estejam protegidos e, nesse sentido, vivam tranqüilos e em paz. Mas ele também defende as instituições", comentou o titular da Corte. O ministro também lembrou que o país deve deixar de viver em tempos de emergência: "Temos uma longa história de reiteradas emergências", afirmou. |
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