| | "QUEM DE NÓS DOIS COMERÁ CEREJAS COM O DIABO?" 1. Os problemas das coligações não vêm de hoje. Na reunião da IDU-UPLA nesta semana, os presidentes dos partidos chilenos RN e UDI, que governam o Chile, afirmaram que a vitória só foi possível quando eles desistiram de ter dois candidatos, unificando-se em torno da candidatura do atual presidente Piñera, e quando passaram a tratar as diferenças internamente e não pela imprensa. 2. Todos os dias, desde 2009 e avançando por 2010, as duas coligações para presidente mostram as dificuldades de coordenar as suas naturais diferenças. O diálogo entre Bismarck e Lassalle (líder socialista e deputado), em 1862, representa bem essa disjuntiva. 3. Bismarck: "Por que o senhor permanece obstinado em não querer votar com o partido conservador (de Bismarck), já que tem tão poucas probabilidades de que sós, triunfem os seus candidatos? Os nossos interesses são comuns, porque vocês sob o seu ponto de vista, e nós sob o nosso, lutamos contra os esforços dos nossos adversários que desejam se apoderar da hegemonia do país." 4. Lassalle: "No momento, pode até parecer possível uma aliança entre o partido operário e os conservadores, porém, pouco tempo estaríamos unidos, e depois iríamos, certamente, nos combater com maior encarniçamento." 5. Bismarck: "Ah! Então o senhor acredita que se trata de ver quem de nós dois poderá comer cerejas com o diabo? Nous verrons!" * * * CURIOSIDADES ELEITORAIS NO ESTADO DO RIO! 1. Entre os eleitores de Cabral, Dilma vence com 8 pontos de vantagem. Entre os eleitores de Garotinho, Serra vence com 3 pontos de vantagem. Entre os eleitores de Gabeira vence Marina Silva um ponto a frente de Dilma e 3 na frente de Serra. 2. Também no Estado do Rio, Serra vence entre as mulheres e perde entre os homens. Dilma vence entre os mais jovens de 16 a 24 anos, e perde entre os maiores de 60 anos. Curiosamente, por nível de instrução, Dilma e Serra estão empatados entre os de menor e maior nível de instrução. Por nível de renda essa situação praticamente se repete. 3. Curiosamente também, Serra vence entre os que vivem de bico e os desempregados. Dilma vence entre os com carteira assinada, autônomos e os que não trabalham (População Não Economicamente Ativa). 4. Dilma ganha por 3 pontos entre os evangélicos, por 5 pontos entre os que não acompanham nenhuma igreja e 4 pontos entre os católicos. Serra vence entre os espíritas por 7 pontos. 5. Serra vence entre os leitores do Globo e vence entre os que não leem jornal. Dilma vence entre os leitores de O Dia, do Extra e do Meia-Hora (jornais populares). * * * SOBRE A DEMANDA DO PSDB-RJ EM RELAÇÃO À SEGUNDA VAGA NO SENADO! (Globo, 18) O ex-prefeito Cesar Maia, que concorrerá ao Senado pelo DEM, afirmou que o diretório fluminense do seu partido manterá o apoio ao PPS. – Hoje (quinta-feira), o Sergio Guerra (presidente nacional do PSDB) esteve em meu apartamento tratando da campanha de Serra no Estado do Rio quando, de passagem, me informou sobre as demarches entre PSDB e PPS. Eu disse que o DEM estará firme com o PPS seja qual for a decisão que o PPS tomar. * * * A IMPORTÂNCIA DOS POLÍTICOS E DOS PARTIDOS EM ELEIÇÕES! 1. Àqueles que acham que campanha se ganha na TV, o primeiro turno das eleições presidenciais na Colômbia serve como exemplo e lição. Mockus, o candidato verde, e a centro-esquerda que o apoiou, imaginavam que a exposição à mídia e à opinião pública com temas pós-modernos, seriam suficientes para mobilizar o eleitorado e levá-lo às urnas. 2. Mobilizar o eleitorado, mobilizou, mas levá-lo às urnas, foi coisa diferente. Quando os deputados, eleitos poucos dias antes, se movimentaram, quando os prefeitos do interior se movimentaram, as pesquisas que davam empate mudaram completamente e Santos, candidato de Uribe, disparou. 3. As bancadas de deputados eleitas pelo Partido Verde (um deputado) e pelo Polo Democrático (13 deputados) somaram 14 deputados. O Partido de la U, de Uribe, elegeu 49 deputados, o Partido Conservador, seu aliado no parlamento, elegeu 37 deputados e o Partido Liberal, que se agrega a eles também, somou 35 deputados. Os demais partidos (Câmbio Radical e Integração Nacional), que apoiam Uribe, somaram 27 deputados. 4. O resultado não poderia ser outro. * * * O EXÉRCITO PARALELO DE CHÁVEZ! UM GOVERNO-GUERRILHA! Documentário realizado por "Reporteros 4" sobre a militarização oficial e paralela do governo Chávez na Venezuela. Veja. * * * HISTORIADOR JOHN LYNCH FALA SOBRE OS 200 ANOS DA INDEPEDÊNCIA DA AMÉRICA HISPÂNICA! (La Nacion, 16) 1. Eu concordo com a opinião que tinha Simon Bolívar. Ele costumava dizer aos que o criticavam por aproximar-se demasiadamente da Grã Bretanha, que todos deviam se sentir orgulhosos dele fomentar esta relação. O tipo de proteção que os libertadores buscavam do lado britânico era uma proteção de fato de parte de sua marinha, a mais poderosa do mundo. Sua mera presença nos mares do sul servia para pôr termo às pretensões imperialistas espanholas. 2. O certo é que América Latina não era de grande importância para a Grã-Bretanha. Como potência mundial, sua visão estava mais enfocada no comércio com os EUA, o resto da Europa e vínculos mais diretos com a Ásia e a África. Na América Latina buscava comercializar e investir. E disto os latino-americanos também poderiam tirar proveito. 3. O processo de ruptura com a Espanha é produto de uma crise dentro do próprio mundo hispânico. Até meados do século18, a América espanhola era menos colônia do que havia sido no princípio. Entre 1700 e 1750, América Latina havia obtido certa independência econômica e também em nível social, no que concerne à presença dos 'criollos', (filhos de espanhóis nascidos na América), em postos do governo. Mas os Bourbons trataram de frear esse processo. Essa reação "bourbônica" é o que levou os "criollos" a iniciar o processo de emancipação. Todos os impérios têm uma semente de autodestruição, algo que os faz inerentemente instáveis. 4. Os libertadores latino-americanos emularam em grande medida o modelo autoritário da monarquia espanhola. Bolívar, ao declarar-se presidente vitalício com direito a eleger seu sucessor, não deixava muito espaço para a participação política. San Martín nunca chegou a esse extremo, mas tampouco favorecia um modelo de participação democrática. |
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