terça-feira, 29 de junho de 2010

29 de junho de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

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TV NAS ELEIÇÕES JÁ NÃO MOBILIZA COMO ANTES!

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (26).

1. A formação das coligações partidárias no Brasil para as eleições presidenciais é muito mais um processo de conquista de tempo de TV que de agregação política. Realmente, o tempo de TV no auge do marketing político, até dez anos atrás, era um fator diferenciador pelo impacto que produzia. Vide os EUA, onde o tempo de comerciais na TV é comprado e, portanto, ilimitado. Os pontos eram o conteúdo e o efeito que produzia sobre o eleitor. No Brasil, onde o tempo de TV é proporcional à quantidade de deputados federais, alguns partidos têm mais tempo que outros. E isso acirra a disputa por esse tempo.

2. Em função do regime militar, a introdução de tecnologia eleitoral na TV atrasou mais de 20 anos. A abertura do dique trouxe, ao mesmo tempo, essa tecnologia desenvolvida nos EUA e uma enorme atratividade para o eleitor. O tempo de TV ganhou importância, e vitórias eleitorais eram atribuídas aos publicitários (chamados marqueteiros), que passaram a ser estrelas nas eleições. Mas a continuidade do uso da TV em propagandas partidárias e eleitorais foi acostumando o eleitor, e o desgaste progressivo dos políticos pós-democratização foi gerando desinteresse e menor impacto.

3. Nos últimos cinco anos, esse menor impacto dos comerciais políticos passou a ser percebido e analisado. Na eleição de 2008 nos EUA, este foi um fato comprovado, a ponto da vitória de Obama receber um exagerado destaque pelo uso de redes na internet. Com a minimização da emoção pela TV, surgem psicólogos sociais que oferecem técnicas de emocionalizar a comunicação política, com ou sem TV.

4. No Brasil, o menor impacto da TV a partir da eleição de 2006 ficou claro para os analistas atentos. Claro que os publicitários continuaram a insistir, afinal, é um mercado generoso. O uso da TV em campanhas passa a ser muito mais um elemento de informação geral que de mobilização. E, nesse sentido, a técnica continua importante.

5. No Brasil, um tempo de TV para presidente abaixo de dois minutos elimina o candidato por falta de exposição e informação. Acima de cinco minutos é inócuo e não agrega quase nada, mas pode servir para não dar fôlego aos menores. Nos comerciais, melhor ainda para quem tem mais, pois elimina os com pouco tempo, por um ou dois dias por semana. No programa, a vantagem é zero: todos os demais juntos terão sempre muito mais tempo para distrair o eleitor.

                                                * * *

"SOMENTE SE O CHEFE DE ESTADO FOR UM CRUZADO CONTRA A CORRUPÇÃO, SE PODERÁ ENFRENTÁ-LA"!

Trechos da coluna de Mariano Grondona no La Nacion (27).

1. Por que o estado de corrupção é tão perigoso que é necessário livrar-se dele? Porque a sociedade é um sistema de expectativas recíprocas em que cada um dos seus membros atua a espera do que fará o outro. Se esse "outro" é alguém de um governo, o lógico é esperar que ao tomar suas decisões, por exemplo no caso de uma licitação, ele procure obter o melhor para o todo. Se o estado de corrupção leva a suspeitar da retidão dos funcionários, os que serão afetados por suas decisões tendem a mudar também seu comportamento com o foco não no que há “sobre" a mesa das deliberações públicas, mas “por debaixo” dela, em transações ocultas condicionadas.

2. Pessoas no governo e empresários mergulham então em busca dos benefícios ilegais que espreitam as decisões públicas, com um duplo resultado. Primeiro, cada decisão estatal será abaixo de ótima, às vezes péssima, para o bem comum que os cidadãos têm o direito de reclamar. É possível calcular o quanto estas decisões ruins dizimaram, devido a este mecanismo perverso, o desenvolvimento de nossa nação?

3. Mas, se este cúmulo de decisões anti-sociais é um mal tão profundo, em segundo lugar existe um outro mal ainda maior: que os membros de uma sociedade afetada pelo estado de corrupção terminem perdendo a confiança mútua que, como Francis Fukuyama apontou em livro “Confiança”, é seu principal "capital social”.

4. Roberto Alemann disse certa vez, ao falar da inflação, que se combatida de frente, ainda haverá alguma inflação, mas que se for tolerada, o que haverá é a hiperinflação. Esta tese é aplicável à corrupção. Se a combatemos mediante uma verdadeira campanha nacional, ainda assim haverá corrupção. Mas, o que acontecerá se a tolerarmos, e mais ainda, se for promovida pelo Estado? Haverá a hipercorrupção.

5. Somente se um chefe de estado se converte em um verdadeiro cruzado contra o estado de corrupção que atualmente nos cerca, poderá levá-lo gradualmente até o remanso dos inevitáveis atos de corrupção que já não seriam, neste caso, pecados mortais, mas veniais. As manchas do tigre são, no final das contas, inevitáveis. O que precisamos fazer rapidamente mediante um grande esforço convergente é não deixar que o tigre se transforme em uma pantera.

                                                * * *

ENSINO MÉDIO NO BRASIL: UMA BOMBA RELÓGIO!
                        
(Wanda Engel - Folha de SP, 29) A média brasileira de anos de estudo ainda é de sete anos e apenas 16% da população economicamente ativa concluiu o ensino médio. É justamente aí que se processa a montagem da bomba-relógio. Em termos de cobertura, menos da metade daqueles que deveriam estar nesse nível pode ser aí encontrada. Parte ainda está no fundamental e quase 20% estão fora da escola. O mais grave é que, na faixa de 18 a 24 anos, 68% estão nessa situação.  Quanto ao currículo, observa-se que menos de 10% dos alunos cursam o ensino profissionalizante. Ou seja, mais de 90% dos jovens estão sendo "preparados" para uma universidade na qual a maioria não pisará.  Mais de 40% dos alunos estudam à noite, inclusive nos Estados mais ricos, quando apenas 17% conjugam escola com trabalho. A soma desses fatores está por trás de uma verdadeira sangria, responsável pela perda de metade de nossos alunos (entram 3,6 milhões e concluem 1,8 milhão). (obs.: na rede pública do Estado do Rio 44%).  86% das matrículas estão nos sistemas estaduais, cujos governantes serão eleitos neste ano.

                                                * * *

NA CRISE, OS RICOS LATINO-AMERICANOS FICARAM AINDA MAIS RICOS!
                    
(Andres Oppenheimer - La Nacion, 29) 1. O "Informe sobre a Riqueza Mundial 2010" publicado por Merrill Lynch e Capgemini afirma que os ricos ficaram mais ricos durante a crise econômica. A soma das fortunas dos latino-americanos (aqueles que têm mais de 1 milhão de dólares em inversões financeiras, excluídos seus imóveis e obras de arte) cresceu 15% ano passado. Medindo as fortunas dos ricos latino-americanos desde o princípio da crise mundial de 2008, seus investimentos financeiros cresceram 8%, mais que em qualquer outra região do mundo.
                    
2. Quanto ao número de ricos na região, estes cresceram de 400 mil em 2007 para 500 mil ano passado. O informe de 2007 indicava que os ricos latino-americanos destinavam apenas 3% de suas fortunas à caridade, enquanto que os ricos dos EUA e da Ásia doavam 12% do seu dinheiro. O Informe perguntou aos ricos se pensavam doar em 2010. 55% dos ricos da Ásia disseram sim, 41% da Europa, 37% dos EUA, 35% do Oriente Médio e 33% da América Latina. A média mundial foi de 41%.

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