quarta-feira, 7 de julho de 2010

07 de julho de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

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O QUE MUDA NA CAMPANHA ELEITORAL NO ESTADO DO RIO!
                
1. Há meses que as pesquisas indicavam patamares para os 3 principais candidatos: Cabral 40%, Garotinho 20%, e Gabeira 15%. A expectativa -dada a avassaladora presença de Cabral e seu governo na mídia publicitária e espontânea- era que a campanha apontasse para alguma queda de Cabral e algum aumento dos demais, sinalizando um segundo turno. Os conteúdos do blog do Garotinho antecipavam uma campanha com retórica agressiva e fortemente polarizada entre Garotinho e Cabral. Com isso, Gabeira, naturalmente, entraria num corredor de vento de Tercius que diz: os dois têm razão.
                
2. A liderança de Garotinho no Interior, e a disputa apertada na Baixada Fluminense com Cabral, indicavam que a campanha exigiria -de um e outro lado- uma intensa interação com as bases políticas (candidatos a deputado federal, a deputado estadual, prefeitos, vereadores...). Cabral antecipou isso com acordos de transferência de recursos, que foi assinando, pré-eleitoralmente, com as prefeituras. Garotinho sublinhava, com sucesso, que só agora o governador começava a abrir seu gabinete aos deputados, ao contrário dele, que governou com seu gabinete aberto.
                
3. A dinâmica da campanha era prevista tendo a sinergia da eleição a governador e das proporcionais como elemento chave. Isso agora muda pelo conforto inicial oferecido a Cabral com a desistência de Garotinho. A campanha presidencial perderia atratividade no Estado do Rio com a polarização na eleição a governador. Isso agora muda e a campanha presidencial passa a ter um destaque muito maior que teria.  
                
4. Por isso tudo, a campanha no Estado do Rio passa a ter um ritmo muito diferente. Cabral abre como favorito no patamar de 50% das intenções de voto. Gabeira vai para o patamar de 20%. Os demais somam uns 5%. O estilo Gabeira -parceria com a sociedade- vai levar sua ascensão para depois do início do programa de TV. A eleição despolariza, o que é bom para ambos. Um que vai ver o tempo passar, priorizando sua condição de governador e não de candidato. E o outro, colocando oxigênio pela internet, pela presença, pela cultura e pela inteligência, procurando impulsionar sua "onda' até antes da TV.
                
5. As campanhas de deputados -federal e estadual- tenderão a correr ao sabor delas mesmas, exigindo dos candidatos uma presença muito mais próxima e direta junto ao eleitorado, despriorizando os palanques de governador e presidente. Uma eleição que começa de forma radicalmente diferente do que vinha sendo a pré-campanha.

                                                * * *

TOLERÂNCIA?????!        
                             
Trechos do artigo de Juan Arias, jornalista e escritor, no El País (06).
               
1. Zapeava na TV quando parei numa antiga entrevista de Hussein, falecido rei da Jordânia. De repente escutei uma frase que me deixou perplexo por uns segundos: “Tolerância é uma palavra feia", disse ele. Segundo ele, não deveríamos usar a palavra 'tolerância', mas 'aceitação'. A melhor forma de conviver com os que consideramos diferentes é aceitá-los. Fiquei pensando como pode ser feia uma palavra tão usada por todos os que defendem os direitos humanos.
                
2. Fui, então, consultar o Diccionario de la Real Academia Española, onde o verbo tolerar, do latím, tolerare, se define asím: "Sofrer, levar com paciência. Suportar algo que não se tem por lícito, sem aprová-lo expressamente. Resistir, suportar". Pensei que talvez tivesse razão Hussein, porque suportar, sofrer, levar com paciência, que alguém professe uma fé diferente da minha ou que pense de outro modo na política em relação a minha opinião, ou que ande na rua de biquíni, ou com o rosto coberto pela burka, é muito pouco.
               
3. Não é assim que se pode construir uma paz estável, uma convivência com alegria. Não basta suportar, sofrer ou tolerar. Limitar-se a "suportar algo que não se tem por lícito", não vai evitar um choque de civilizações, ou guerra de religiões. De suportar a proibir é um passo. A melhor forma de conviver ombro a ombro com os que consideramos diferentes (assim como eles também), muito mais que tolerá-los é aceitá-los. A diferença é enorme. O mesmo Dicionário define o verbo aceitar como "aprovar, dar por bom", algo que "merece aplauso".
                
4. Europa foi rica por sua diversidade. Hoje está se empobrecendo espiritualmente porque, como muito, tolera as diferenças, sem aceitá-las, nem aplaudi-las, e às vezes hostilizando. Se for certo que só envelhece quem perde a capacidade de se surpreender-se, não me cabe a menor duvida de que a aceitação feliz do novo e do diferente poderia ser o melhor antídoto e a melhor terapia contra esse desencanto e aborrecimento que faz com que depreciemos o desconhecido e fiquemos com uma segurança falsa e estéril.

                                                * * *

BRASIL: PROGRAMA DE RECEBIMENTO DE REFUGIADOS!
                    
(El País, 07) 1. Cerca de 70% dos refugiados no Brasil procedem de países da África. Apesar da distância geográfica dos conflitos africanos, Brasil está entre os países que mais refugiados acolhe em seu território: um total de 4.294, dos quais 2.789 provem da África. Brasil recebeu uma primeira onda de refugiados nos anos 70 e 80, quando as ditaduras militares latino-americanas forçaram milhares de opositores a sair, fugindo da perseguição política. Posteriormente, a princípio dos anos 90, um grande número de angolanos chegaram às costas brasileiras. Hoje, Brasil contabiliza 76 nacionalidades entre os refugiados que residem em seu território, segundo o último informe 'Tendências Globais 2009' divulgado pelo Alto Comissariado para os Refugiados -ONU.
                
2. O informe de ACNUR aponta Angola como o primeiro dos países de origem dos refugiados que chegam ao Brasil (1.688). Depois vem Colômbia de onde chegaram 589 pessoas que fogem por "temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política”. Os seguintes na lista são, República Democrática do Congo (420), Libéria (259) e Iraque (199). Cuba também está presente, com 132 refugiados.  

                                                * * *

SANTANDER E A AMÉRICA LATINA!
                    
(El País/La Nacion, 06)  1. O Banco Santander colocará em prática para os próximos cinco anos um plano de expansão na América Latina para consolidar sua posição de liderança na região, segundo anunciou ontem seu diretor geral da divisão América, Francisco Luzon na Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP) do Santander. "Este é o nosso momento, nos próximos cinco anos vamos novamente empunhar a bandeira da bancarização (incentivar as pessoas a terem contas bancárias) na região, para empurrar o crescimento e consolidar a nossa liderança na banca de clientes, tanto particulares quanto micro e pequenas empresas”, disse Luzon.
                   
2. O esforço de investimento vai se concentrar no que Luzon chamou de "os sete principais países da região". Ou seja, México, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Peru e Colômbia, que representam 75% da população e 84% do PIB do continente. Os investimentos serão divididos entre os sete países onde o Santander está presente; mas terão prioridade o Peru e a Colômbia, onde sua presença ainda é fraca. Por enquanto, ficam de fora países como a Venezuela, onde o Santander foi obrigado a vender sua filial, e o Equador.
      
3. Luzon disse que o Santander destinará cerca de 50% dos lucros que recebe da região, que corresponde a 40% do total do grupo. No primeiro ano seria cerca de 1,8 bilhão de euros. Essa elevada rentabilidade, crescente nos últimos 15 anos, foi obtida graças ao modelo de filiais autônomas, segundo Luzon, que lembrou que os bancos espanhóis não abandonaram a América Latina na crise de 2001 e agora é capaz de lançar esta ofensiva. "A América Latina tem-nos permitido ficar acordados", ressaltou.
     
4. Hoje, o valor do sistema bancário na região é de 500 bilhões de dólares (399 bilhões de euros), que dobrará em 2015, segundo analistas. Destes, 70 bilhões de dólares correspondem ao Santander, metade do valor do grupo. O banco emprega 86.000 pessoas na América Latina. Luzon disse que a bancarização na América Latina aumentará o crédito de 30%, em relação ao PIB, a 42% em cinco anos, principalmente graças à Argentina e ao México. O crédito argentino aumentaria de 10 a 25% do PIB. Mas declarou que para isso é necessário reduzir a inflação, que é "um problema grave".

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