terça-feira, 3 de agosto de 2010

03 de agosto de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

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EDUCAÇÃO: NÃO ÀS AVALIAÇÕES PADRONIZADAS!  
            
1. Entrevista do Estado de SP (02) à educadora Diane Ravitch. Ela foi uma das principais defensoras da reforma educacional americana  baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno,  mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil (obs.: secretaria de educação da Prefeitura do Rio), Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.  Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação. Respostas abaixo.
            
2. Eu apoiei as avaliações, o sistema de accountability (responsabilização de professores e gestores pelo desempenho dos estudantes) e o programa de escolha por muitos anos, mas as evidências acumuladas nesse período sobre os efeitos de todas essas políticas me fizeram repensar. Não podia mais continuar apoiando essas abordagens. O ensino não melhorou e identificamos apenas muitas fraudes no processo.  O No Child Left Behind não funcionou por muitos motivos. Primeiro, porque ele estabeleceu um objetivo utópico de ter 100% dos estudantes com proficiência até 2014. Qualquer professor poderia dizer que isso não aconteceria e não aconteceu.
           
3. Segundo, os Estados acabaram diminuindo suas exigências e rebaixando seus padrões para tentar atingir esse objetivo utópico. O terceiro ponto é que escolas estão sendo fechadas porque não atingiram a meta. Então, a legislação estava errada, porque apostou numa estratégia de avaliações e responsabilização, que levou a alguns tipos de trapaças, manobras para driblar o sistema e outros tipos de esforços duvidosos para alcançar um objetivo que jamais seria atingido. Isso também levou a uma redução do currículo, associado a recompensas e punições em avaliações de habilidades básicas em leitura e matemática. No fim, essa mistura resultou numa lei ruim, porque pune escolas, diretores e professores que não atingem as pontuações mínimas.   
          
4. Avaliações padronizadas dão uma fotografia instantânea do desempenho. Elas são úteis como informação, mas não devem ser usadas para recompensas e punições, porque, quando as metas são altas, educadores vão encontrar um jeito de aumentar artificialmente as pontuações. Muitos vão passar horas preparando seus alunos para responderem a esses testes, e os alunos não vão aprender os conteúdos exigidos nas disciplinas, eles vão apenas aprender a fazer essas avaliações. Testes devem ser usados com sabedoria, apenas para dar um retrato da educação, para dar uma informação.
           
5. Qualquer medição fica corrompida quando se envolve outras coisas num teste.   As melhores escolas têm alunos que nasceram em famílias que apoiam e estimulam a educação. Isso já ajuda muito a escola e o estudante. Toda escola precisa de um currículo muito sólido, bastante definido, em todas as disciplinas ensinadas, leitura, matemática, ciências, história, artes. Sem essa ênfase em um currículo básico e bem estruturado, todo o resto vai se resumir a desenvolver habilidades para realizar testes.
          
6. Qualquer ênfase exagerada em processos de responsabilização é danosa para a educação. Isso leva apenas a um esforço grande em ensinar a responder testes, a diminuir as exigências e outras maneiras de melhorar a nota dos estudantes sem, necessariamente, melhorar a educação.   A reforma americana continua na direção errada. A administração do presidente Obama continua aceitando a abordagem punitiva que começou no governo Bush. Privatizações de escolas afetam negativamente o sistema público de ensino, com poucos avanços de maneira geral. E a responsabilização dos professores está sendo usada de maneira a destruí-los.
          
7. A lição mais importante que podemos tirar do que foi feito nos Estados Unidos é que o foco deve ser sempre em melhorar a educação e não simplesmente aumentar as pontuações nas provas de avaliação. Ficou claro para nós que elas não são necessariamente a mesma coisa. Precisamos de jovens que estudaram história, ciência, geografia, matemática, leitura, mas o que estamos formando é uma geração que aprendeu a responder testes de múltipla escolha. Para ter uma boa educação, precisamos saber o que é uma boa educação. E é muito mais que saber fazer uma prova. Precisamos nos preocupar com as necessidades dos estudantes, para que eles aproveitem a educação.

8. Ex-Blog: Isso para um país com a renda média dos Estados Unidos. Imaginem aplicar este método aqui no Brasil como vem sendo feito. E em especial em escolas públicas em áreas mais pobres.
    
                                                * * *

NOTAS ELEITORAIS!
                 
1. Ontem a TV Globo iniciou a cobertura dos três candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. Alguns comentários.
                 
2. Dilma, com um abrigo do COB fechado na frente, pareceu com mais peso. Como sempre gaguejou ao falar e deu uma olhada para algum papel e falou o óbvio que não dá para lembrar.
                 
3. Marina foi a seu tema (reciclagem), e o conteúdo foi muito bom. Só não se sabe por que um rosto tão fechado. Não é briga. E no final, ao terminar a fala, fechou ainda mais olhando para baixo.
                 
4. Serra se preparou para seu tempo na TV. Trouxe a fala na ponta da língua (saúde, segurança, educação, escola técnica), e falou com expressão suave.
                 
5. Cabral, com o mesmo abrigo de Dilma, falou do trem bala entre os aeroportos do Rio e SP. Só esqueceu que em 2016 o trem bala não estará pronto. É obra para 8 anos.
                 
6. Gabeira visitou os sindicatos dos hospitais e foi bem no exemplo do consórcio de municípios para compra de remédios. Com isso, fez um silogismo com o escândalo da compra de remédios no estado.
                
7. Peregrino conseguiu boas imagens e falou do deslocamento do centro administrativo para a Zona Oeste, para buscar o voto de base do Garotinho. É professor, tem experiência, e vai crescer.
                
8. Ontem, no JN, achei o William Bonner um pouco cansado.  

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JINGLE!

Um dos jingles de minha campanha com animação.

                                                * * *
                                            
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS: SÉRIES DE TODOS OS INSTITUTOS E GLOBAL!
                            
Conheça. Selecione as séries na parte inferior da planilha.

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IDEB 2009 REFERENTE AO TRABALHO NAS ESCOLAS DA PREFEITURA DO RIO, ATÉ 2008!
            
(coluna do Ancelmo-Globo, 03) Das 110 escolas em áreas de risco no Rio, 67 conseguiram melhorar suas notas no IDEB. Destas 48 bateram a meta do MEC.
           
(Ex-Blog, 03) Parabéns ao magistério do Rio. Parabéns às diretoras e professoras dessas escolas. A partir de 2010 tenta-se entrar com esquemas privatizantes nas escolas públicas. A violência aumenta e o rendimento decai.

                                                * * *

MAIS UMA RAZÃO PARA SE VETAR A LEI DE PARTILHA DOS ROYALTIES! ESTADOS E MUNICÍPIOS PERDEM R$ 12 BILHÕES DE IMPOSTOS!
            
(Estado SP, 02)  1. O novo marco regulatório para exploração de petróleo no Brasil esconde uma mudança tributária significativa, que garantirá mais dinheiro para a União e menos para os Estados e os municípios. A adoção do regime de partilha da produção, que substituirá o atual sistema de concessão, reduzirá a arrecadação de impostos que o governo federal é obrigado a repartir. A mudança pode representar um corte médio de R$ 12,3 bilhões no volume de recursos compartilhados, afirmam os economistas José Roberto Afonso e Kleber Pacheco Castro, responsáveis pela avaliação.                 

2. Pelo sistema de exploração vigente, o petróleo retirado do mar é de propriedade das empresas que operam os campos. As companhias são obrigadas a pagar à União algumas compensações financeiras pelo direito de exploração, além de todos os impostos que incidem sobre as receitas e lucros obtidos.  No modelo do pré-sal defendido pelo Palácio do Planalto, o petróleo passa a ser da União. Essa mudança de "dono" vai provocar uma queda na arrecadação dos tributos por uma simples razão: a União não tem de pagar impostos.
            
3. "Como a União não fatura e muito menos lucra como uma empresa, conclui-se que ela não é contribuinte", afirmam os economistas.   Com base em estimativas sobre a produção de petróleo e gás do pré-sal feitas por Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Afonso e Castro estimam que em 2031, ano de pico da produção, cerca de R$ 21,5 bilhões deixarão de ser arrecadados. "Na média, entre 2010 e 2040, o impacto seria de 0,34% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a R$ 12,3 bilhões a preços médios atuais", calculam os economistas.
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