quinta-feira, 5 de agosto de 2010

05 de agosto de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

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UMA BREVE -E ESTRANHA- HISTÓRIA DA SITUAÇÃO DOS FRIGORÍFICOS!  (por FMS)     
                
1. Até antes da crise financeira mundial, as exportações estavam indo de vento em popa e com o dinheiro fácil no mercado, muitas empresas abriram capital para captar recursos e outras tomaram empréstimos para ampliarem instalações e comprarem outras fábricas. Com a crise, a festa acabou. Com dívidas em dólar, exportação em baixa e calote de clientes lá fora, começou a quebradeira. É preciso entender que um frigorífico tem enorme necessidade de capital de giro para funcionar, com a compra de bois e pagamento de funcionários.
                
2. Uma lista de empresas exportadoras entrou em recuperação judicial: Arantes,  Mercosul, Margen, Independência, Frialto, Frigol. Hoje, pelo menos mais 4 estão na fila para quebrar também. O BNDES viu nisso uma oportunidade de por em prática sua política de concentração, exatamente como fez quando juntou Sadia e Perdigão para criar a BRFoods. O primeiro passo foi unir o Frigorífico Bertin, que estava à beira da concordata ao JBS, dos irmãos Junior, Joesley e Wesley Batista. A mesma tentativa foi feita com o Independência, com a diferença que a família Russo, dona do Independência, não topou se unir aos Batista e ficou de fora. Parece que o presidente do BNDES guardou essa mágoa até hoje.
                
3. O BNDES concentrou todos os seus recursos em duas empresas, JBS e Marfrig. Juntos, os dois receberam 18,5 bilhões de reais do banco. Para os outros falidos, 500 milhões de reais resolveriam suas dívidas com pecuaristas pelo menos para continuarem funcionando, mas isso lhes foi negado. Até a semana passada, a diretoria da Abiec tentava levantar recursos para os frigoríficos menores no BNDES, na Caixa, no Banco do Brasil e só encontrou portas fechadas.
                
4. O problema é que os 18 bi de JBS e Marfrig foram usados em grande parte na aquisição de empresas fora do país, no processo de internacionalização tão prezado por este governo. Ou seja: o nosso BNDES está criando empregos lá fora, fomentando o agronegócio lá fora, levando desenvolvimento lá fora. E o pior, os produtos dessas empresas estrangeiras concorrem com os produtos brasileiros no mercado internacional. Por exemplo, o frango americano da Pilgrims Pride (JBS) é o maior concorrente do frango brasileiro no mercado da Rússia, o maior  importador do mundo...
                
5. O plano já está todo preparado, vão deixar os outros menores falirem e forçar os grandes a irem às compras. Há inclusive dinheiro separado no BNDES para que a BRFoods amplie sua participação no mercado de carne bovina. Ou seja, teremos 3 gigantes sobreviventes, JBS, Marfrig e BRF e um punhado de frigoríficos minúsculos semi-falidos e obsoletos abastecendo mercados locais nos grotões do país.
                
6. Que capitalismo bananeiro é esse, onde o Estado intervém no mercado para criar monopólios, reduzindo as opções a consumidores e pecuaristas? É uma vergonha que isto esteja acontecendo em uma cadeia produtiva  que gera 8 milhões de empregos e 5 bilhões de dólares em divisas de exportação para o país. Privilegiam-se alguns e deixam  outros definhando à míngua. Lula teria confessado ao Júnior que quer fazer do JBS a Petrobrás do boi...  

                                                * * *

DEBATE HOJE NA BAND!
                        
1. Este Ex-Blog já tratou do assunto, resumindo um artigo de Cesar Maia na Folha de SP. O debate em si não produz desdobramentos para um período maior que 48 horas. Mas a cobertura do debate no dia seguinte por toda a imprensa pode produzir. A "audiência" da cobertura é muito maior que a "audiência" do debate. No final, se houver uma versão consensual da imprensa, esse será o "debate".
                        
2. O que vai acontecer é fácil prever, analisando centenas de debates pelo mundo afora. A líder nas pesquisas irá ao debate para "tocar realejo", expressão usada na política para discurso de político que quer apenas cumprir agenda e não produzir espuma. O candidato da oposição vai procurar mostrar sua maior capacidade e experiência e criar insegurança quanto ao futuro com ela.
                        
3. A candidata neutra e amazônica tem uma grande chance de ser o destaque no dia seguinte. Esse é o desejo implícito da imprensa: animar a campanha, descobrindo um tercius. Mas para isso, deverá mostrar ao tempo de ser afirmativa (que tem sido), ser suave (que não tem sido). Se ela aproveitar a boa vontade, dizendo coisas do agrado da imprensa (ética na política, não às garras do Estado, sim à liberdade de imprensa sem condições, sim à redução de impostos...), no outro dia será a vencedora do debate.
                        
4. A opinião deste Ex-Blog é que Serra vencerá o debate em si, de baixa audiência e atenção. E Marina vencerá o "debate do dia seguinte" na imprensa. E..., nada mudará.

                                                * * *

INDÚSTRIA NO GOVERNO LULA: EM MARCHA BATIDA PARA O SÉCULO 19!
               
(Folha SP, 04) Dados da Onudi (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), divulgado recentemente e compilados pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o valor adicionado pela indústria brasileira (medida do que o setor de fato produz, descontados custos de insumos) cresceu a uma taxa média de 3,5% entre 2005 e 2008. O número perde de longe para as taxas no mesmo período de China (12,9%), Índia (8%) e Rússia (6,9%), que, com o Brasil, formam os Brics. Considerando 20 desses setores (para os quais há dados da Onudi disponíveis tanto para 2000 como para 2008), a participação do país na geração de valor agregado da indústria mundial encolheu em 13 e ficou estagnada em um deles. Recente tese de doutorado do economista Alexandre Comin, professor licenciado da PUC-SP, defende que o Brasil passa por um processo parcial de desindustrialização.

                                                * * *

INSTITUTO DA MÚSICA!
            
(Kenneth Maxwell - Folha SP, 05) "Em 1891, Andrew Carnegie construiu duas torres no seu grandioso Carnegie Hall, localizado em Nova York, na esquina da Rua 57 com a Sétima Avenida. As torres serão completamente remodeladas, em um projeto de renovação orçado em 200 milhões de dólares. Será construído o "Instituto de Música Sandy Weill", que portará o nome do ex-presidente do conselho do Citigroup."

                                                * * *

VENEZUELA NÃO QUER OBSERVADORES INTERNACIONAIS NAS ELEIÇÕES DE 26/09/2010!
                
(El Mercurio, 02)  El senado chileno decidió no acatar la inhabilitación que hiciera la presidenta de la Asamblea Nacional de Venezuela, Cilia Flores, sobre el envío de un grupo observadores de cara a las elecciones parlamentarias del próximo 26 de septiembre. El senador de la Democracia Cristiana en Chile, Patricio Walker, declaró que “no se entiende que alguien se moleste porque somos invitados por la oposición para ir como observadores internacionales. Somos del Parlamento de un país amigo".  "Vamos a ir igual, y si nos quieren sacar que nos saquen. No vamos a ir a agredir a nadie, vamos invitados por amigos. Aunque sea como turistas vamos a ir. Es importante que el pueblo venezolano se exprese y que pueda establecer un contrapeso al poder total que se quiere establecer", señaló.
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Pesquisa e Edição: JCM
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