| | CHAVISMO TUPINIQUIM! Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP deste sábado (14). 1. O populismo autoritário na América Latina tem como expressão maior o presidente Chávez da Venezuela. Seu discípulo mais obediente é o presidente Morales da Bolívia. Em outros países inscritos na rede -dita- bolivariana, o Poder Legislativo procura reagir e evitar que a democracia seja totalmente pisoteada. O Brasil é um caso perigosamente intermediário. As tentativas sub-reptícias quando descobertas produzem recuos cínicos do tipo "não era essa a intenção", "não havia lido". 2. São quatro os vetores onde se testa a blindagem da sociedade e do Congresso. O primeiro trata de valores, quanto à vida, a família e as drogas, surpreendidos num tal Plano Nacional de Direitos Humanos. O segundo aponta contra a liberdade de imprensa. O terceiro se direciona às instituições políticas, e a proposta de uma constituinte exclusiva para a reforma política é o caso mais flagrante. 3. O quarto é o mais comum. O presidente atropela o Congresso Nacional assinando tratados, convênios e contratos internacionais. Na semana passada ele declarou que havia assinado, em sua passagem de horas por Caracas a caminho de Bogotá, 28 acordos de cooperação em diversas áreas. Um mês antes assinou com Cuba linhas de crédito de US$ 1 bilhão. Um pouco mais atrás avançou com Bolívia e Paraguai revisões dos contratos do gás e Itaipu. Tem perdoado dividas a bel-prazer e justifica pela pobreza dos países beneficiados. 4. Não se trata de mérito, mas de restrições constitucionais que não dão ao presidente liberdade para decidir sem aprovação do Congresso. Se o Senado for ao STF questionar invasão de competência, esses acordos se tornam inválidos. A Constituição diz em seu artigo 49: "É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional". Em seu artigo 52, ela diz: "Compete privativamente ao Senado Federal: (...) IV- designar os embaixadores. V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados (...) e dos municípios". 5. A bem da verdade, o Senado tem sido omisso. Nas sabatinas com embaixadores, estes têm o tempo de cinco minutos para suas exposições e o rito de escolha é sumário. Não é sem razão que outro dia o presidente afirmou que para ele um senador vale três governadores. Assim explicou os acordos que reduziram à metade os candidatos de seu partido a governador, em relação a 2006. * * * OS PROGRAMAS DE SERRA E DILMA! 1. Foi um roteiro de primeiro programa: desenhar a biografia e humanizar os candidatos. 2. O programa de Dilma gasta um longo tempo respondendo às redes de internet sobre o período "revolucionário" dela. 3. A favela cenográfica do Serra seria dispensável. 4. Deixaram Dilma gravando solta e deve ter sido difícil fazer a seleção dos melhores momentos. Ela não fala bem e não passa sinceridade, de frente ou de lado para a câmera. 5. Um plano só nos dois longos teleprompters, contínuos, lidos pelo Serra -aliás, bem lidos- foi um desvio no programa. Afinal, se fechasse o plano e gravasse um trecho apenas para esse plano fechado, poderia tirar melhor proveito, mais emoção e mais atenção de quem assiste. 6. O programa coloca Serra como realizador individual. O programa coloca Dilma como realizadora inserida em coletivos de governo. 7. Lula entrou apresentando a companheira, sem a convicção necessária, seja na convenção, seja narrando o primeiro encontro. Recebê-la na campanha de 2002 e em uma única reunião sacar que ali estava sua ministra, é muito pouco crível e seu olhar mostra isso. 8. Do ponto de vista eleitoral, ou seja, informação nova, ou mobilizar o eleitor, ou..., nada aconteceu, nem a favor de um nem a favor de outro. Os programas frustraram quem esperava novidades. Poderiam ter sido feitos por estagiários. Aguardemos os próximos capítulos. * * * COMERCIAIS DE DEPUTADOS NA TV! 1. Há que se ter um enorme cuidado com os comerciais de deputados na TV. A audiência/atenção diminui muito. Um candidato que tente ser engraçadinho contamina a seriedade dos demais. E é difícil atrair atenção numa série de candidatos. O PR e o PV usaram o tempo dos deputados para fazer uma espécie de campanha majoritária de seus puxadores de legenda. Funciona, certamente. Mas se eles elegem outros além deles mesmos, alguns dos demais eleitos o serão sem voto. 2. Para os candidatos que fazem comercial em estúdio, o cenário deve ser analisado com cuidado. Muita informação no cenário -candidato a presidente, a governador, a senadores em plaquinhas- polui e desvia a atenção do candidato. Como esse cenário se repete a cada deputado, essa poluição passa a ter mais memorabilidade que os próprios candidatos a deputado. 3. Não ajuda o partido, pois tira votos deles. E ainda, em certos casos, pode prejudicar os candidatos majoritários entre os indecisos: "Quem? Esse cara com ele? Não voto nele". 4. O cenário deve ser limpo, com apenas uma informação majoritária ou número. Afinal, os majoritários têm muito tempo de TV e muitos comerciais, especialmente candidatos a presidente e a governador. * * * ABANDONO DO PROGRAMA "COZINHEIRA COMUNITÁRIA"! 1. O ministro Patrus Ananias adotou o programa da prefeitura do Rio, Cozinheiras Comunitárias, que conforme ele comprovou, tem foco garantido, pois é feito dentro das comunidades pobres. O ministério cede os equipamentos e a prefeitura subsidia. Funciona das 5 às 7h da manhã. É um almoço e, quem quiser, pode levar uma quentinha para almoçar. São 50 centavos. 2. Mas esse programa vem sendo abandonado. 3. Veja só essa foto. Cesar Maia tirou ontem no Morro da Providência. Tudo abandonado na Cozinha Comunitária. Quem sabe agora com a UPP na comunidade não se retoma o programa. Quem trabalha e quem estuda chegava alimentado ao trabalho. E se criava emprego para as cozinheiras comunitárias. Tudo acabou. As pessoas reclamaram e o levaram lá para mostrar o estado das coisas. 4. Conheça. * * * EUA: AVALIAÇÃO DO PRESIDENTE E ELEIÇÃO PARA O CONGRESSO! O Gallup divulgou um estudo em que mostra a correlação entre a taxa de aprovação do Presidente e os ganhos/perdas de cadeiras no congresso nas eleições intercalares (midterm elections). Desde a Segunda Guerra, o partido do presidente sempre perdeu cadeiras nessas eleições de meio de mandato, independente de sua aprovação, com exceção de Clinton (1998) e Bush (2002), que tiveram ganhos. Em média, nas eleições em que o presidente possuía aprovação superior a 50%, seu partido perdeu 14 cadeiras. Em contraste, quando a aprovação era inferior a 50%, seu partido perdeu 36 cadeiras em média. Na última pesquisa do Gallup, Obama teve 42% de aprovação. Se as eleições de novembro mantiverem a média, os Democratas permanecerão maioria no Congresso, mas por uma margem de apenas 3 cadeiras. Não exatamente um bom sinal para 2012. Conheça. * * * AINDA SOBRE O TRÂNSITO NO RIO! (AO) Completando sua nota no Ex-Blog de ontem. Uma quarta, e decisiva, razão para a redução da velocidade de trânsito foi a mitigação da operação das Vias Especiais (CVE). | | |
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