A CONFUSÃO ELEITORAL NOS DOIS VOTOS PARA O SENADO! Trechos da coluna de Cesar Maia, na Folha de SP (18). 1. A eleição para o Senado dá ao eleitor, de oito em oito anos, o direito de votar duas vezes. É a única eleição no Brasil em que isso acontece. No Chile, usa-se o sistema de primeira e segunda maiorias. As eleições para senador e deputado seguem esta regra em cada região eleitoral. A fórmula de primeira e segunda maiorias contribui para a convergência de partidos afins e para o equilíbrio da representação parlamentar. No Brasil, a regra dos dois votos produz distorções que podem afetar a dinâmica e o próprio resultado das eleições. 2. Naturalmente, cada candidato ao Senado faz sua campanha pedindo votos para si. E evita conflitar com seus adversários, pois precisa do segundo voto deles. Com isso, o eleitor toma sua decisão direta para o primeiro voto e residualmente para o segundo. São duas as consequências disso. A primeira é que a taxa de fixação do voto em um candidato é muito maior no primeiro voto do que no segundo. Ou seja: a probabilidade de o eleitor mudar seu segundo voto é muito maior do que mudar o primeiro. 3. A segunda consequência é o paradoxo do segundo voto como contraditório do primeiro. Na medida em que, na eleição, os candidatos na TV não estabelecem suas diferenças, para evitar perder o segundo voto, o eleitor médio decide seu segundo voto sem preocupação de coerência na chapa que escolhe. Numa situação dessa, a tendência do eleitor médio é escolher quem tem chance. Os candidatos mais competitivos se veem na situação em que o segundo voto de seu eleitor pode derrotá-lo, ampliando a votação de seu adversário. A eleição se despolitiza, e o resultado pode ser o contrário do que a decisão de primeiro voto indicaria. 4. Como os TREs não separam o primeiro do segundo voto na apuração, uma análise precisa se torna impossível. Mas se pode fazer uma análise dedutiva a partir das últimas pesquisas, na semana da eleição e do resultado final. Alguns institutos de pesquisa não têm informado, neste ano, o primeiro e o segundo votos separados, o que impede a análise dedutiva. Analisando as eleições de 1994 e de 2002 a partir dos institutos que separaram o primeiro e o segundo votos, focalizando os últimos dias e comparando com o resultado das eleições, a proporção de eleitores que não confirmou seu segundo voto indicado nas pesquisas estava em torno de 30%. 5. Com isso, na urna, um candidato do primeiro escalão apontado nas pesquisas pode crescer na mudança do segundo voto uns dez pontos, mudando a ordem de chegada do primeiro escalão. Nesse sentido, fazer campanha pelo segundo voto é decisão de alto risco. * * * FOLHA DE SP/DATAFOLHA: VOTOS VÁLIDOS PARA O SENADO! 1. "Políticos obtêm índices menores quando se calculam votos válidos. Soma de intenções de voto é 200%, mas soma dos válidos é 100%. O Datafolha divulga também a partir de hoje (18), o percentual de votos válidos que os candidatos ao Senado recebem nas pesquisas. A mesma coisa ocorre quando são refeitos os cálculos para os candidatos a senador. Há uma diferença maior -e mais complicada- porque o total de votos possíveis para o Senado é o dobro do total de eleitores, já que cada pessoa vota duas vezes. A soma das intenções de voto dos candidatos ao Senado, dos brancos e nulos e dos indecisos deve dar 200%. Já a soma dos votos válidos é 100%, pois o total de votos, dois para cada eleitor, passa a ser a base para o cálculo, não o total de eleitores. Por isso, quando considerados os votos válidos, os candidatos ao Senado têm percentuais menores. Por exemplo. Se considerados os votos válidos, Crivella teria 27%, Lindberg, 26%, e Maia, 18%." 2. (Ex-Blog) Se somarmos as intenções de voto em todos os candidatos ao senado na pesquisa do Ibope, 75% dos votos a um dos candidatos ainda não foram decididos. * * * PROGRAMA DE CESAR MAIA À NOITE (17)! Assista.

* * * CRIMINALIDADE E TRÁFICO DE DROGAS AVANÇAM NO INTERIOR DO ESTADO DO RIO! (Globo, 19) Migração de bandidos de facções criminosas do Rio para a cidade serrana faz índices de violência crescerem. Com um Produto Interno Bruto (PIB) em torno de R$ 1,4 bilhão, o maior da Região Centro-Norte do estado, Nova Friburgo está sob ataque do tráfico. Enquanto os números da indústria revelam uma região próspera, com enorme potencial turístico, a estatística da violência nos últimos quatro anos — e que passou a ser percebida até no Centro da cidade — assusta: de 2006 para 2009, assaltos aumentaram 90%; roubos a residência, 33%; roubos a pedestres, 46%; e assaltos a ônibus, 285% (pularam de sete para 27). As ações criminosas, segundo a polícia, passaram a ser comandadas por traficantes de diferentes facções que migraram do Rio. * * * EFEITO ESTUFA NO RIO: FALTA COMPARAR COM ÚLTIMO ESTUDO! 1. Foi divulgado pelo Globo (20) o resultado dos estudos da Coppe-UFRJ contratados pela prefeitura do Rio sobre os vetores responsáveis pelo efeito estufa no Rio. Seria importante comparar com o último estudo realizado pela prefeitura nos anos 90 e ver que vetores foram ampliados e que outros não. O IPP -Instituto Pereira Passos- pode fazer a comparação. Por exemplo: o lixo (incluindo o aterro de Gramacho) contribuía com cerca de 40%. Mas, depois, o lixão foi transformado em aterro sanitário e os novos números falam em 25%. 2. (Globo, 20) Um estudo encomendado pela prefeitura à Coppe/UFRJ revela que os meios de transporte rodoviário são os maiores poluidores, com 33% do total. Em seguida, vêm as emissões provenientes do lixo, com 25%, e a poluição industrial, com 10%. O trabalho foi apresentado em agosto no Fórum Carioca de Mudanças Climáticas, com dados das emissões de 2005. * * * DIREITA VENCE ELEIÇÃO NA SUÉCIA! (El País, 20) A extrema direita consegue passar dos 4% e entra no parlamento. A outrora poderosa socialdemocracia sofre sua pior derrota desde 1920. A coalizão conservadora -Aliança para a Vitória- pela primeira vez na história tem um segundo mandato consecutivo. Recebeu 49% dos votos. Os partidos de centro-esquerda 43%, e a extrema direita quase 6%. Os social-democratas apenas atingiram 31%. Analistas explicam a vitoria pela boa gestão econômica.
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