| | INTERNET ELEITORAL FINALMENTE APARECEU, MAS DE BAIXO PARA CIMA! 1. Este Ex-Blog já havia comentado sobre o fracasso das candidaturas presidenciais no uso da internet nesta eleição. Todos falavam tanto em Obama e nada disso ocorreu. Provavelmente, porque os candidatos presidenciais e suas equipes íntimas ainda não entenderam que a internet é interativa e dinâmica, em que todos são produtores de conteúdo. 2. Mas já nos últimos 30 dias, a internet surge como poderoso elemento indutor de voto. Não pelas candidaturas, mas pelo movimento realizado a partir da base, de redes sociais, de redes pessoais. E o tema central foram os Valores Cristãos, que impulsionaram uma transferência de intenção de votos de Dilma a Marina e uma projeção para o segundo turno. Alguns vídeos ganharam destaque, como o do Pastor Piragine, que chega a 3 milhões de entradas no YouTube. 3. A força dos fluxos foi de tal ordem que Dilma teve que fazer uma reunião extraordinária com líderes religiosos para dizer que não disse o que disse e que as redes difundiam pela internet. Lula foi à TV e gravou comercial para os dois últimos dias, substituindo a Dilma para dizer que ela não disse o que havia dito e que ele não sabia do PNDH-3 que ele assinou e publicou como decreto no Diário Oficial. 4. Nem os escândalos planaltinos produziram tamanha mobilização, apesar do destaque nas TVs, Rádios e Jornais. O que mexeu mesmo com esta eleição, e pode garantir um segundo turno, foi a força da internet a partir das bases. O debate na TV Globo, onde os candidatos poderiam ter aproveitado fluxos e tendências através do jogo segurança-insegurança, com teses e ideias suas e de seus adversários, foi inócuo, lerdo, passivo e sonolento. 5. Restaram os mesmos fluxos anteriores, multiplicados pela internet e com o mesmo tema: Valores Cristãos. A "agenda" da campanha, tão buscada para contrabalançar a agenda da continuidade de Lula, foi identificada e potencializada pelas redes sociais e pessoais na internet. Com enorme interação e multiplicação. Vindo o segundo turno, ele certamente terá vindo pela força da internet. Claro..., usada adequadamente, e pelos próprios internautas. * * * KIT-CHÁVEZ NA VENEZUELA INVADE O STF DE LÁ! (Folha SP, 02) Legislativo anuncia nomeação de 43 novos magistrados. A Assembleia Nacional da Venezuela anunciou ontem que designará 43 novos magistrados do TSJ (Tribunal Supremo de Justiça), equivalente local ao Supremo Tribunal Federal. Estão sendo substituídos 11 juízes principais e 32 suplentes. A ação faz parte de uma manobra de parlamentares chavistas para eleger juízes alinhados com o presidente Hugo Chávez antes que deputados oposicionistas -eleitos domingo passado em eleições legislativas- tomem posse em janeiro de 2011. Os magistrados assumem no lugar de juízes que foram aposentados por lei aprovada neste ano. Pela Constituição venezuelana, uma das tarefas do Legislativo é nomear juízes. * * * "A PALAVRA DEGRADADA"! TEXTO SE ENCAIXA EM LULA E NA POLÍTICA POR AQUI! Trechos do artigo de Santiago Kovadloff no La Nacion (24). 1. A interdependência entre linguagem, moral e política se mostra, desde sempre, como um fato indiscutível. George Steiner pôde constatar "as pressões exercidas pela decadência cultural sobre a linguagem". Desde o início dos anos 60, advertiu que "os imperativos da cultura e da comunicação de massa têm forçado a linguagem a desempenhar papéis cada vez mais grotescos." A obscenidade do grotesco consiste em sua ostentação; na exposição da vulgaridade como um bem. 2. Líderes políticos incorporam em seu vocabulário a grosseria e a insolência como se não fossem ou, ainda pior, como se fossem dignos de divulgação. Abertamente e com frequência cada vez maior, fazem eco deste fascínio pela grosseria verbal, esforçando-se em apresentá-la como uma garantia de autenticidade e proximidade com seu público. A brutalidade, o ordinário e o grotesco foram pavimentando o caminho para algo ainda pior: o movimento progressivo de todos os tipos de violência verbal. 3. E a chamada classe política não hesitou em fazer sua própria contribuição para esse exercício irresponsável da palavra, transformando o adversário em inimigo e a discordância com sua própria opinião em um insulto. A deterioração da linguagem tem uma forte influência sobre a força das idéias. Como bem observado por Steiner, à medida que esta deficiência se acentua "a linguagem deixa de configurar o pensamento avançando para a brutalização." Sejamos claros: quando a linguagem se corrompe, algo mais do que a linguagem está corrompido. O lixo em que se transforma, inevitavelmente contamina o pensamento. 4. O caso da atual liderança do partido governista é, neste sentido, patético. Ter adversários os repugna e acabam definindo-os como sendo seres insignificantes. Os maus-tratos que lhes são impostos não têm limites. Com isso, política conhecida tende a desaparecer. Em vez disso, tem seu lugar ocupado pelo despotismo. A intenção por trás dele não esconde seu propósito. A demagogia e a intolerância andam de mãos dadas. A pluralidade de critérios horroriza sua propensão para o monólogo. 5. Assim não incentiva o debate, mas sim o maniqueísmo. A discordância necessária se transforma, sob o seu peso, em confrontação. E o confronto, em seu caso, em uma prática voltada para o extermínio do adversário. A degradação do idioma, em boa parte dos políticos, reflete a magnitude alcançada pela perda do valor das investiduras. Tão difundida é essa degradação que seria injusto supor que o oficialismo tem o monopólio da degradação da linguagem. Mas é inegável que em suas fileiras esta prática encontra uma maior aceitação. 6. É indubitável que a meta para a qual se encaminha, na política, a degradação da palavra, é a subordinação forçada de toda dissidência a uma vontade despótica. Uma nova raça de excluídos começa ser forjada pela intolerância do poder. Os membros são aqueles que desejam continuar exercendo o pensamento crítico. Assim, a insegurança conhecida se acrescenta uma nova. 7. Andar pelas ruas, avenidas e vias é, há muito, um risco radical. Freqüentar livremente o caminho das palavras começa a ser também. Duas formas de crime se complementam na Argentina para multiplicar uma mesma desolação. | | |
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