sexta-feira, 8 de outubro de 2010

08 de outubro de 2010

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Ex-Blog do Cesar Maia

Cesar Maia

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CESAR MAIA EM ENTREVISTA À AGÊNCIA ESTADO: EM 2010 O MARKETING POLÍTICO FOI O DE 50 ANOS ATRÁS!

1 - O sr acompanha atentamente marketing político ao redor do mundo e aqui no Brasil.  O que mudou em termos de marketing nesta eleição? Os candidatos estavam mais engessados, excessivamente guiados por talking points?
R- Tivemos uma eleição de marketing politico primário, típico de 50 anos atrás na América Latina com o caudilho orientando o eleitor e ocupando todos os espaços, nas ruas, nas rádios, nos panfletos e agora na TV.

2 - o que o sr acha da estratégia de marketing da Dilma e do Serra?
R- Nenhum dos dois teve estratégia de marketing se usamos como referencia os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Dilma fazia uma comunicação simplista: de quem quer o caudilho, vote em mim. Serra apostou numa continuidade com melhorias e teve que mudar tudo atropelado pelos escândalos que envolveram o Planalto. Marina começou com o discurso de sustentabilidade e século 21, e cresceu em função do voto evangélico e os valores cristãos que professa. Não houve estratégias.

3 - Há um artificialismo na campanha?
R- Não. Há o relançamento do populismo eleitoral dos anos 50. E por isso fenômenos de voto, nessa mesma linha para parlamentares.

4 - Os debates foram muito engessados? O que deveria mudar?
R- Não houve debates se tomamos como referencia os debates nos EUA, Grã-Bretanha, Espanha e França.

5 - E o horário politico, cumpre a função de informar o eleitor?
R- Serve para isso, mas esse ano foi depolitizador: vote em mim porque 'papá' pede.

6 - Faltam figuras políticas carismáticas na eleição atual, como foram em uma era Jânio Quadros, Juscelino?
R- Faltam agendas. Os caudilhos dos anos 50 tinham agenda. Os de hoje apostam na antipolítica no sentido que os cientistas políticos dão.

7 - Por que o sr acha que não foi eleito?
R- Porque o eleitor decidiu votar em meus adversários que, para eles, representavam quem os apoiava, que aparecia todos os dias na TV. A eleição foi limpa. Mas foi unicórdica. O eleitor sabe por que votou, mas não sabe para que votou.

                                                * * *
      
POR QUE DILMA PASSOU A SE VESTIR DE BRANCO?

1. Este Ex-Blog perguntou a estilistas por que Dilma teria passado a se vestir de branco. A resposta dos 3 consultados foi a mesma: para lhe dar brilho e luminosidade. Em seguida, este Ex-Blog perguntou a 3 publicitários sobre a razão da busca de brilho e luminosidade para Dilma. A resposta também foi unânime. A expressão de Dilma, de setembro para cá, se tornou mais cansada. O branco ajuda a percebê-la com mais energia.

2. Lula vê Dilma "abatida". Presidente confidencia a aliado preocupação com desânimo de candidata  -  Folha SP 08/10

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva externa, em privado, preocupação com o "abatimento" de sua candidata à sucessão, Dilma Rousseff (PT), nos últimos dias. Para mudar esse quadro, a reestreia do programa eleitoral na TV, hoje, irá classificar como "vitória" com "votação expressiva" o resultado de Dilma no primeiro turno.

                                                * * *

O SEGUNDO TURNO É OUTRA ELEIÇÃO? TV MUDA!
                    
1. Está mais que comprovado que, para o eleitor, ter tempo de TV significa ter força e poder vencer. Não é decisivo, mas tem um peso muito grande. Um candidato a presidente ou governador sem tempo de TV é percebido pelo eleitor como alguém sem força e sem apoio.
                    
2. Por isso, um candidato que tem muito tempo de TV no primeiro turno e vai para o segundo, deve tomar muito cuidado. Por exemplo. Se tem 10 minutos de TV, e seu adversário 7 minutos, no segundo turno os dois têm tempo igual de 10 minutos. Ou seja: seu adversário cresceu 50% na percepção do eleitor.
                    
3. Antes, o eleitor via -por probabilidade- 50% mais inserções e programas em TV que seu adversário. Agora empata.
                    
4. E mais. Os candidatos a governador que tiveram vitórias exuberantes e que, portanto, são fortes eleitores, já não aparecem mais no segundo turno. São os casos da Bahia, Pernambuco, Estado do Rio e Espírito Santo, por exemplo. Seus programas e inserções recebiam uma overdose de Lula. Isso desaparece.
                    
5. Portanto, o mais provável -se a TV de Serra acertar no ponto- é que a diferença entre os dois caia de muito, com os primeiros dias de TV que recomeça hoje.

                                                * * *
                                                                
"CANDIDATOS, PESQUISAS E FEITICEIROS"!
                      
Trechos do artigo (El País-20/09) de José Andrés Torres Mora, professor de Sociología e deputado socialista.
            
1. Quando eu penso sobre a relação dos sociólogos eleitorais (analisando pesquisas), com os políticos, sempre me recordo de uma piada contada pelos antropólogos sobre uma aldeia de índios Hopi, perto de um observatório meteorológico. Depois de uma longa seca, os índios começaram a pressionar o novo feiticeiro da aldeia para que fizesse a dança da chuva. O bruxo tentou adiar a cerimônia para ver se chovia. A pressão da tribo culminou em ameaças sérias. Encurralado, o feiticeiro organizou a cerimônia e depois da tribo dançar até tarde da noite, disse aos índios que antes de dormir tirassem todos os seus potes para coletar água. Quase ao amanhecer, o feiticeiro fugiu da aldeia. Mas antes foi até o observatório meteorológico e ali viu um homem com um casaco branco, se aproximou dele e perguntou: "Você poderia me dizer se vai chover hoje?".  O homem respondeu sem hesitar: "Sim". O feiticeiro perguntou ao cientista: "Como você pode ter tanta  certeza?", ao que o cientista respondeu: "Porque os índios da aldeia lá embaixo colocaram seus potes para recolher a água da chuva."
            
2. Ao se escolher um candidato exclusivamente a partir das pesquisas se produz uma tautologia: o melhor candidato é aquele que segundo a pesquisa tem maior probabilidade de vencer. No entanto, é possível pensar que o melhor candidato, coincidindo ou não com a pesquisa, é aquele que tem mais competência na hora de resolver os problemas,  aquele que demonstra maior coragem moral frente à injustiça, aquele que tem o melhor projeto ou qualquer outra qualidade que você acha ser importante para governar, e que sendo conhecida será também reconhecido pelos eleitores como algo valioso.    As coisas mudam como resultado de nossas ações, e muitas vezes em um sentido diferente do que o esperado.
            
3. Em pesquisa, a uma pergunta impossível, uma resposta inútil. A política não pode ser reduzida a uma ciência, seja econômica, sociológica ou qualquer outra. A política tem de responder aos problemas que não tenham uma solução científica. A política tem a ver com as decisões cujas consequências são incalculáveis, para as quais não existe uma resposta verdadeira, mas um acordado razoável e apoiada por uma maioria. Alguns acreditam que é suficiente contratar as melhores agências de marketing eleitoral para ganhar uma eleição, que há um método científico para eleger os candidatos e fazer os programas.
            
4. Nada disso é verdade. Uma decisão política é mais parecida com a aposta de um empreendedor do que com um cálculo matemático. Nenhum sociólogo assumiria, por fazer a estimativa de um resultado eleitoral, a mesma responsabilidade que um arquiteto para a estabilidade de um edifício. Não haverá ninguém a quem reclamar se elegermos o candidato que diz a pesquisa e não o que temos vontade. Não há uma apólice de seguros ou uma empresa que seja responsável pelos danos, são os militantes que terão de arcar com as consequências.
            
5. Por isso, o melhor conselho que podemos dar a aqueles que vão escolher, é que votem naquele que conscientemente consideram o que melhor os representa e a sua causa, e não aquele apontado por um feiticeiro disfarçado com um jaleco branco de sociólogo. Algo tem as pesquisas que, em nosso país, o legislador proibiu publicá-las alguns dias antes da eleição. A pesquisa que se apresentava, mostrava um mapa da opinião antes da deliberação, mas a democracia não consiste somente em votar, mas sim fazê-lo depois de ter deliberado livremente.
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