| | ELEIÇÕES E RESISTÊNCIAS FEDERATIVAS! 1. O resultado da eleição presidencial se deve a um fator básico: a vontade de continuidade por parte do eleitor. Há fatores e fatos que estimulam essa tendência, e outros que desestimulam. A história política de um país é um elemento que deve sempre ser considerado. É, portanto, um fator ou um fato ou mesmo um ambiente indutor ou não. 2. A República brasileira, após o governo de transição eleito indiretamente (Deodoro, Floriano), elegeu diretamente e de forma sequencial três presidentes de SP: Prudente de Moraes, Campos Sales e Rodrigues Alves. Quando S. Paulo insistiu no quarto presidente, o governador Bernardino de Campos, a reação veio, especialmente de Minas Gerais, e dela a escolha de Afonso Pena e o início do que se chamou política café (SP) com leite (MG). A insistência, na eleição de 30, em suceder um presidente de SP (Washington Luis), com o governador de SP (Julio Prestes), produziu a revolução. 3. A eleição e reeleição de FHC e depois de Lula, marcou outra vez uma série de três presidentes de SP. Em 2006, além dos dois candidatos competitivos serem de SP (Lula e Alckmin), Lula, habilmente, e pelos próprios fatos e pesquisas, se mostrou como representante do Nordeste. 4. Agora, em 2010, outra vez SP apresenta seu candidato, inquestionavelmente o quadro mais qualificado para a função de presidente. Independente do favoritismo do esquema de continuidade Lula-Dilma e das nuances da campanha eleitoral, o fator federativo e regional criou um ambiente desfavorável a mais um presidente de SP. As próprias pesquisas qualitativas realizadas mostraram isso. Serra, com seus reiterados exemplos de programas, em várias áreas, que funcionaram muito bem em SP, terminou reforçando este ambiente. E as pesquisas qualitativas voltaram a indicar. 5. É claro que esse não foi um fator determinante. Mas é claro, também, que ajudou a construir um quadro de dificuldades adicionais, além de todas as que teria que enfrentar, como a popularidade de Lula, o uso abusivo da máquina, etc., etc. * * * ENCERRA-SE UM LONGO CICLO DE DEMOCRATIZAÇÃO NO BRASIL! E AGORA? 1. O Brasil viveu o mais longo processo de democratização desde os anos 70, no mundo todo. Um processo deflagrado pelo regime autoritário e, por isso, teve características próprias e especiais. Começa em 1974 com acesso dos candidatos de oposição ao senado, à TV, quando obtiveram uma ampla vitória. Prossegue com a suspensão da censura direta nos jornais em 1975. Recebe um ajuste com o 'pacote de abril de 1976' que criou a figura dos senadores biônicos, para o regime não ter susto no senado. 2. Em 1978, a Emenda 11 da lavra do ministro da justiça Petronio Portela desenhou o processo daí para frente. Petronio Portela, que seria o presidente da transição, falece em 1980 com 55 anos. Em 1979, veio a Lei de Anistia. Em 1982, são reabertas as eleições para governadores. Em 1985, são reabertas as eleições para prefeitos das capitais e municípios -ditos- de segurança nacional. 3. Em 1985, o PDS, partido do governo, se divide, o que viabiliza a eleição de Tancredo Neves, que falece, assumindo Sarney. Convocada a Assembleia Constituinte, as eleições de 1986 elegem seu plenário, além dos governadores. Em 1988, é publicada a nova Constituição. Em 1989 -quinze anos depois- ocorre a primeira eleição para presidente com a vitória de Collor. Os desmandos éticos de seu governo testam a nova Constituição. A deposição/renúncia ocorre sem traumas. 4. Com amplo lastro de legitimidade, são definidas as regras de estabilidade monetária e fiscal. FHC é eleito em 1994 e consolida o processo democrático estabelecendo consensos econômicos e políticos. Altera a Constituição para permitir a reeleição, e paga por isso com as crises asiática e russa de 1997/1998 e um segundo mandato de crise. 5. Finalmente, cumpre-se a etapa final deste longo processo de democratização. É eleito Lula presidente. Ele e seu partido não assinaram a Constituição, e estabeleciam uma radical oposição aos consensos estabelecidos. O teste final era da estabilidade política, com Lula e o PT. As instituições mostraram solidez e as tentativas de aventuras foram frustradas. 6. A estabilidade política com Lula e o PT, e a continuidade dos consensos -monetário e fiscal- completaram este longo ciclo, dando a eles mais um mandato, onde os escândalos de 2005 só fizeram aprofundar, ainda mais, as raízes da democratização brasileira. As iniciativas de inclusão social do governo FHC foram ampliadas, intensificando a paz social que se vivia. 7. Este longo processo de democratização se encerra agora no fim dos dois períodos de Lula e PT. A eleição de Dilma, conjunturalmente, se aproveita da enorme popularidade de Lula. Mas esta é uma questão eleitoral. Agora se encerra aquele longo período de democratização. E se abre um novo ciclo, que exigirá do governo eleito ir além da mera continuidade. 8. Terá que liderar este novo ciclo sob pena de frustrar expectativas implícitas no imaginário popular e transformar a euforia da vitória em quatro anos perdidos, na plataforma de lançamento deste novo período que as instituições democráticas brasileiras, as instituições econômicas e as instituições sociais exigem para seu aprofundamento. A Reforma Politico-Eleitoral e a Reforma Tributária são dois elementos claros disso. 9. As eleições de 2010 deram amplos sinais relativos. Os analistas e observadores atentos entenderam. Que o novo governo entenda para não fracassar criando um período de impasses políticos, estagnação econômica e de mistificação social. * * * DIFERENÇA DE VOTOS EM 2002, 2006 E 2010 NO SEGUNDO TURNO! 2002: Lula venceu por 19,4 milhões de votos. Em 2006, Lula venceu por 21,6 milhões de votos. Em 2010, Dilma venceu por 12 milhões de votos. * * * MAPA ELEITORAL DO BRASIL: 2002, 2006, 2010! Segundo Turno. Oposição -em azul- vai crescendo, crescendo... Conheça. * * * DISCURSO DE DILMA! Agradeceu a todo mundo. Só se esqueceu de agradecer a Deus, que usou e abusou no segundo turno. Mas na vitória..., não. * * * MINAS E S. PAULO! FORÇA DA HISTÓRIA! Aécio não perdeu para Lula. O problema é que a história (primeira república) acostumou Minas à presidência "café com leite". E agora o serviço de "café" vinha multiplicado por 4. Minas votou no leite para lembrarem do café com leite. * * * AMANHÃ (02), ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS! OBAMA DEVE PERDER MAIORIA NO CONGRESSO! (BBC, 31) 1. Estão em jogo nestas eleições todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 37 das cem vagas do Senado. Também serão eleitos governadores de 37 Estados. Analistas e pesquisas de intenção de voto afirmam que o Partido Republicano deverá conquistar a maioria na Câmara dos Representantes. As projeções mais recentes são de que os republicanos podem conquistar até 50 cadeiras na Câmara, o que daria ao partido a maioria, com 230 deputados. Os democratas ficariam com 205 cadeiras. No Senado, a situação permanece indefinida, e candidatos dos dois partidos aparecem empatados nas pesquisas em vários Estados. 2. Segundo a pesquisa, NYT\rede CBS News, o percentual de mulheres que pretendem votar em republicanos neste ano supera em 4 pontos percentuais o das eleitoras que vão escolher candidatos democratas. Em consultas anteriores, a preferência das eleitoras do sexo feminino era por democratas e, segundo o jornal, o resultado desta semana sugere que os republicanos conseguiram ganhar o apoio de mulheres indecisas nas últimas semanas. Também os eleitores independentes, os católicos e os de baixa renda estão mais propensos a votar em republicanos, uma mudança em relação a pesquisas anteriores. Foi com o apoio desses segmentos demográficos que em 2008 o Partido Democrata conquistou a maioria no Congresso. | | |
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