| | O POPULISMO NÃO COORDENA SUAS BASES SEM LÍDER FORTE! Coluna de sábado (12), de Cesar Maia, na Folha de SP. 1. Há um paralelismo entre a política e a economia argentina e brasileira em relação às suas especificidades e ao tempo em que ocorrem. Foi assim com Getulio e Perón, com Frondizi e JK, com os militares, com Collor e Menem, Alfonsín e FHC, com os planos Austral e Cruzado, Primavera e Verão e agora com Kirchner e Lula. As análises de ambas as dinâmicas políticas ajudam a entendê-las. E a preveni-las, se for o caso. 2. Em sua coluna ("La Nación"), na semana passada, o politólogo Natalio Botana analisa os desafios que virão com a morte de Kirchner. Para unificar o peronismo, só com um líder forte. Afinal são quatro peronismos, como sugere. A semelhança com o PT tem raízes e história. A base do peronismo é uma liderança popular, onicompreensiva. Seus ciclos sempre dependeram dessas presenças, com Evita e Perón, Menem e depois Kirchner. Na ausência de líder forte, o peronismo perdeu o poder. 3. Na Argentina, diz, esse tipo de liderança nunca se desenvolveu fora do peronismo. Aliás, como aqui, entendendo o trabalhismo de ontem e de hoje como linhas contínuas. Diz Botana que, "para isso, as fronteiras do peronismo devem ser laxas, segundo as circunstâncias". Com cada novo líder, a trama se atualiza e vêm novos registros de concentração do poder. Perón, Menem e Kirchner representaram interesses distintos, mas sempre com a mesma apetência hegemônica. 4. "Quando o êxito está ao alcance da mão, o peronismo é vertical. O paradoxo é que essa concentração se dá com uma base plural: é uno na chefia e plural quanto à sua conformação sociológica". São quatro suas tendências internas: a política, a sindical, a revolucionária surgida nos anos 70 e os movimentos sociais mobilizadores ativados nas crises. Kirchner disciplinou sua base parlamentar e os governadores através do caixa, diz Botana. Sublinha que ele foi negociador com o sindicalismo, que tem, aliás, base financeira própria, como aqui. 5. Com os movimentos sociais, negocia, coopta, mobiliza e desmobiliza, neste caso via políticas sociais. Finalmente, o "setentismo" (ex-revolucionários), "com o qual agregou uma política de reparação histórica. Esses se sentiam como vanguarda que abria uma nova história alimentada com memórias excludentes". 6. E conclui Botana: "Dessa forma, sem uma liderança carismática, essas quatro linhas (política, sindical, setentista e movimentos sociais) terão que se cruzar, porque são difíceis de conciliarem-se e exigem a liderança forte como signo de identidade. Mas o pós-líder forte arrasta a complicação dos desengajamentos que ele mesmo produz". 7. Não será diferente aqui. Líder fora do poder não é forte. Só se fosse de oposição. * * * HAITI: MAIS UM FRACASSO DA POLÍTICA EXTERNA DE LULA! 1. (Globo, 18) Porto Príncipe-(Reuters) - Protestos violentos contra a presença das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) na cidade de Cap-Haitien prejudicam o combate à epidemia de cólera no Haiti, disseram trabalhadores humanitários na quarta-feira. Os distúrbios em Cap-Haitien e em outras cidades mataram duas pessoas e deixaram dezenas de feridos, inclusive soldados nepaleses apedrejados em Hinche, na região central do país. 2. (editorial Globo, 18) Escombros, cólera, eleições: é o Haiti. Uma epidemia de cólera que matou até ontem 1.100 pessoas e infectou mais de 18 mil tornou insustentável a situação no Haiti. O desespero do povo se volta contra a força da ONU, cujo braço militar é comandado pelo Brasil. Manifestantes assumiram o controle da segunda cidade do país. Em meio a tudo isso prossegue a campanha para as eleições no dia 28 para a escolha do presidente, deputados e senadores. Uma das heranças do terremoto são as 27 milhões de toneladas de escombros, das quais só 5% foram removidos. O governo do Haiti foi praticamente riscado do mapa. Este se tornou o país das ONGs. * * * PREOCUPA O PARAGUAI, DEVERIA PREOCUPAR O BRASIL TAMBÉM! Na edição de ontem, o editorial do ABC Color chama a atenção do Governo paraguaio para uma série de iniciativas bolivianas que mereceriam preocupação: (a) cooperação com o Irã para o desenvolvimento da energia nuclear para fins supostamente pacíficos, estabelecida quando da visita de Evo Morales a Teerã; (b) acordos com a China para a aquisição seis de aeronaves militares num valor de US$ 60 milhões e com a Rússia para o fornecimento de armamento no valor de US$ 100 milhões; e (c) declarações do Comandante do Exército boliviano, no sentido de que as forças armadas são uma “instituição socialista, comunitário e, como tal, anti-imperialista”. * * * "ÍNDICE DE RISCO TERRORISTA"! 1. A Somália é o país com "risco de terrorismo" mais elevado no mundo, à frente do Paquistão, Iraque e Afeganistão, segundo o novo "índice de risco terrorista", hoje divulgado pela sociedade britânica Maplecroft. Num ano, a Somália passou do 4º para o 1º lugar, tendo registrado 556 "atos terroristas" entre Junho de 2009 e Junho último, adianta a Maplecroft, especializada no estudo de riscos naturais ou humanos. 2. Depois da Somália, seguem-se na lista de "risco extremo": Paquistão, Iraque, Afeganistão e os Territórios Palestinos. O Iêmen surge em nono lugar, entre 196 países, entrando pela primeira vez na lista. A Grécia é o país europeu com maior risco de terrorismo, tendo passado da 57.ª posição para a 24.ª, com 180 atentados num ano, ultrapassando assim a Espanha (27.º lugar). 3. Os Estados Unidos estão na 33.ª posição (já categoria de risco médio), à frente da Argélia (36.º), França (44.ª) e Reino Unido (47.ª), Canadá (67.º lugar), Alemanha (70.º), Marrocos (84.º), Suíça (114.º) e Bélgica (117.º) estão já no nível de "risco fraco". 4. O índice de risco terrorista (TRI na sigla em inglês) é estabelecido, anualmente, com base no número e intensidade dos atentados, assim como na história do país nesta matéria. | | |
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